Um policial que vale por dez
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Marian Trigueiros e Silvana Leão<BR>Reportagem Local 
Bom preparo físico e empatia com o animal. Quem vê um policial militar fazendo patrulhamento a cavalo não imagina, mas para estar ali ele precisa, no mínimo, apresentar estas duas condições. Controle emocional para enfrentar situações de confronto completa a lista de requisitos básicos a um soldado de cavalaria. Por isso nem sempre é fácil encontrar policiais com o perfil necessário.
''Quem seleciona o policial é o cavalo. Em uma turma de 160 formandos da Escola de Soldados, 10 se apresentaram como voluntários para tentar aprender esta modalidade de trabalho, mas somente quatro conseguiram'', lembra o comandante do Pelotão da Polícia Montada de Londrina, tenente Alexandre Colaço. ''Trata-se de um tipo de policiamento especializado. Em Apucarana, por exemplo, o pelotão tem uma boa estrutura, mas há quatro policiais, quando o interessante seria que 12 profissionais trabalhassem montados.'' Segundo o tenente, porém, há um aspecto positivo nesta dificuldade de seleção: ''Aquele que consegue manter-se no pelotão é porque gosta e vai trabalhar satisfeito.''
Ontem, 18 integrantes do pelotão participaram de um treinamento prático que encerrou curso realizado durante toda a semana. Foram simuladas situações de tumulto, tiro montado, transposição de obstáculos para testar a eficiência do policial e o preparo dos animais. Parte deste treinamento é feita semanalmente, quando cavalos e cavaleiros simulam, por exemplo, a atuação em distúrbios civis, como brigas de torcidas, e transposição de obstáculos. ''Os animais são treinados para andar no asfalto, subir e descer escada, desfilar em público, enfim, tentamos aprimorar as habilidades necessárias para enfrentar situações comuns à rotina da polícia, de forma que a porcentagem de imprevistos seja a menor possível'', explica Colaço.
De acordo com o tenente, uma das vantagens desta modalidade de policiamento é que um policial a cavalo consegue realizar o trabalho de até 10 policiais a pé. No pelotão de Londrina o plantel é formado por animais de várias raças, como mangalarga, puro sangre inglês, crioulo, paint horse, brasileiro de hipismo.
Segundo o tenente-coronel Heraldo Regis Bório da Silva, comandante do Regimento da Polícia Montada do Paraná, que participou do treinamento de ontem, os cavalos devem ser acostumados inclusive ao barulho, para atender a qualquer situação.
A Polícia Montada pode ser considerada a unidade mais antiga da Polícia Militar - existe há cerca de 130 anos. Em Londrina, a modalidade existe há dez anos, com sede no Parque Ney Braga, Zona Oeste.
Dois anos atrás, a Polícia Montada, que antes era subordinada aos batalhões da PM, passou a responder ao Regimento. ''Antes da mudança de subordinação, cada pelotão era autônomo. Por isso, esse treinamento visa unificar, aplicar uma doutrina única do policiamento montado em todo o estado, além da reciclagem e ampliação das técnicas'', explicou o tenente-coronel. Hoje, o Paraná conta com 300 cavalos distribuídos nos pelotões de Londrina, Ponta Grossa, Cascavel, Curitiba e Foz do Iguaçu, além de vários grupamentos.


