Um pesquisador tupiniquim
A descoberta do flebotomíneo (mosquito) transmissor da leishmaniose no Paraná é considerada um verdadeiro ‘‘achado’’. Com recursos escassos e mantido pelos parceiros – Secretaria Municipal de Saúde de Arapongas e Universidade Federal do Paraná (UFPR) –, Norberto Assis Membrive explica que muitos dos trabalhos são realizados na base do improviso.
‘‘A Fundação Nacional de Saúde (FNS) envia cerca de 20% dos recursos que utilizamos. Contamos muitos com a ajuda de outros órgãos e de empresas interessadas no nosso trabalho’’, comenta. Hoje, a sala de pesquisa da FNS – cedida pela Prefeitura de Arapongas – é mantida com 50% de recursos da Secretaria Municipal de Saúde e 30% da UFPR. ‘‘Muitos dos equipamentos são arrumados pela prefeitura. A dificuldade nossa é de conseguir que a FNS libere recursos para consertos ou compre os equipamentos necessários para continuarmos as pesquisas.’’
Membrive se considera um pesquisador ‘‘tupiniquim’’, pois além de usar do improviso possui somente o segundo grau. ‘‘Tenhos muitos cursos pela Fundação Nacional de Saúde em vários institutos renomados no País. Faço estes estudos porque gosto do assunto. Mas tenho que dividir esta pesquisa com outras doenças.’’
Para contornar parte das dificuldades, ele e outros funcionários do setor comprarem uma câmera filmadora a prazo. ‘‘Se fôssemos esperar pelo equipamento, nunca teríamos.’’. Até as primeiras barracas usadas para a captura noturna de mosquitos foram improvisadas pelos técnicos da FNS em Arapongas. ‘‘Ainda precisamos de muitos equipamentos. Enquanto não conseguimos estes recursos, vamos improvisando e emprestando de amigos ou entidades que nos apóiam’’. (A.S.)

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