Um pesadelo para moradores e comerciantes
Os trabalhadores de Rolândia ouvidos pela reportagem são unânimes: a passagem dos trens em vários momentos do dia, bloqueando a passagem entre um lado e outro da cidade, tornou-se um pesadelo. ''De manhã, quando a gente está indo trabalhar, já atrasada, dá mais raiva ainda. Já fiquei aqui parada 35 minutos, esperando os vagões se movimentarem e darem passagem para a gente'', conta a auxiliar de acabamento Aparecida Alves, que diariamente cruza a ferrovia.
Para a professora Maria Goreti Freitas, que construiu uma casa em frente pátio de manobras, o tráfego de composições também é motivo de preocupação. ''Terminamos a construção em abril do ano passado e o piso da sala do andar superior já está trincado'', conta. Maria também reclama do ''escândalo'' feito pelos maquinistas ao se aproximarem dos cruzamentos, várias vezes durante a madrugada. ''É um transtorno constante'', resume. A professora diz ainda que já perdeu a conta das vezes que chegou atrasada ao trabalho por não conseguir atravessar a linha. ''Eu me nego a pular os vagões, como muita gente faz.''
O empresário Celso Yamada, proprietário de um posto de gasolina localizado a poucos metros do cruzamento da linha férrea com a Rua Ailton Rodrigues Alves - uma das vias de grande movimento da cidade, que dá acesso a rodovias que levam a São Paulo e Mato Grosso do Sul - conta que o barulho em excesso e os bloqueios constantes atrapalham os negócios. ''Quando os maquinistas acionam o apito a gente tem que parar de conversar com os clientes e tapar os ouvidos. Sem falar que, se alguém passar mal do outro lado da linha vai acabar morrendo, porque a ambulância não consegue atravessar. Essa linha no meio da cidade é uma coisa ultrapassada, não poderia mais existir'', opina. (S.L.)





