O espaço para as crianças brincarem está cada vez mais reduzido. Elas já não são mais as donas da rua como antigamente e os quintais ficam cada vez menores, sem contar as que moram em apartamento e só dispõem da garagem do prédio. Uma alternativa de lazer saudável e gratuita são os parques infantis. A criançada adora, pois é a chance de brincar ao ar livre, poder correr e se sujar à vontade, sem contar com a diversão nos brinquedos. O grande problema é que os parques estão cada vez mais escassos e em condições precárias. Muitos bairros não têm essa opção e os que têm, muitas vezes estão impróprios para uso.
Norival e Claudiane Barbosa são pais de Murilo, de 11 anos e Gabriel, de 6. Moradores da Zona Norte, as crianças só dispõem de um campinho próximo de casa para brincar. Nos finais de semana, os pais costumam levar os filhos ao shopping ou para visitar os avós. Quando o domingo é de sol, às vezes a família vai até o Zerão, onde as crianças se divertem no parquinho. Apesar de os brinquedos serem feitos de pneus velhos e madeira, mesmo assim muitos foram depredados. Murilo, no entanto, acha que o lugar está bom e que não falta nada.
Junto com eles estavam os amigos Estela Cambuhi, de 13 anos e o irmão, Isaque, de 7. Para ele, seria bom se tivesse uma pista de skate no parquinho. Assim como os amigos, ele também costuma jogar futebol no campinho próximo de casa e joga videogame. Estela reclama da falta de áreas de lazer com parquinhos. Norival comenta que em Maringá é difente: ''Lá tem parque para todo o lado. Agora fizeram as academias ao ar livre, aqui não tem, falta espaço para as crianças e também para os adultos se exercitarem''.
Em outra região da cidade, Adriana da Silva Campos costuma levar a filha Vanessa, de 4 anos, ao parquinho do Lago Cabrinha (Zona Norte). Os brinquedos também são feitos de madeira e estão um pouco mais conservados que os do Zerão mas, mesmo assim, um balanço já havia sido quebrado. A menina gosta bastante do passeio e diz que seu brinquedo preferido é a gangorra. Sempre que vai à casa da sogra, nas vizinhanças do lago, Adriana aproveita para levar a menina para brincar.
Luana Rubenia é cunhada de Adriana e também leva o filho, Wendrius, de 4 anos, ao parquinho. ''Os maridos ficam pescando e nós trazemos as crianças. Pena que esteja com esse mato alto e com os balanços quebrados.'' O garoto conta que também gosta do passeio mas que sente falta de uma torneira para poder lavar as mãos e tomar água depois das brincadeiras.
A costureira Iolanda Garcia é outra que sempre leva os netos para brincar e reclama que a própria população quebra alguns brinquedos. ''O povo não dá valor, a prefeitura faz e os vândalos quebram.''
Na Praça 15 de Novembro, na Rua Sergipe (Centro), o Parque Infantil Rogério Bacarin está razoavelmente bem conservado mas o banheiro é outra história. Um está trancado e o outro está sujo e quebrado, impossível de ser usado, ainda mais por crianças. Na Praça Dom Pedro I, próximo da Avenida Tiradentes, a maior parte dos brinquedos também está em condições de uso, embora alguns estejam quebrados. O parque infantil do Bosque é um dos piores exemplos da decadência dos espaços públicos infantis. Não bastassem os brinquedos quebrados, tudo está coberto com cocô dos pombos.
Segundo Aloysio de Freitas, secretário municipal de Obras, em Londrina há 300 praças e destas, aproximadamente 60 têm parques públicos infantis. Ele reconhece que alguns estão em estado ''deplorável'' e precisam ser revitalizados. A prefeitura está com ações programadas para trocar a iluminação de algumas praças e aproveitará para fazer também a manutenção dos parques.
Aloysio disse que a oficina da CMTU é quem faz a solda e pintura dos brinquedos, mas parques novos dependem de votação orçamentária e não estão previstos para esse ano.

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