Um pedacinho do Nordeste em solo londrinense
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sexta-feira, 07 de setembro de 2012
Vítor Ogawa <br> <br> Reportagem Local 
Pequenas esculturas em cerâmica retratando o cotidiano do sertão nordestino fizeram de Vitalino Pereira dos Santos, o Mestre Vitalino, morto há 46 anos, um dos maiores divulgadores da cultura nordestina. Seguindo a tradição da família, Vitalino Neto, segue transformando o barro em pequenos retratos do cotidiano de Caruaru. Ele está em Londrina participando da 17 Festa Nordestina, evento que ocorre até domingo no pátio do Museu de Arte de Londrina (área central), mostrando e comercializando algumas de suas obras, trazendo um pedacinho do Nordeste para o solo londrinense.
Vitalino Neto, 39 anos, relatou à reportagem da FOLHA que não chegou a conhecer o seu avô, Mestre Vitalino, mas conta que a técnica para realizar as esculturas foram passadas de geração a geração. ''Estas esculturas realmente se tornaram uma marca do Nordeste e todo mundo que bota o olho nelas sabe que são de Caruaru (PE), com o estilo do Mestre Vitalino'', afirmou. Ele revelou que o tempo de confecção de uma peça depende de sua complexidade. ''Têm peças que demoram um dia inteiro para serem feitas, mas existem outras que em um dia podem ser confeccionadas várias delas.''
Em outra barraca a artesã Maria Lopes, de Londrina, confeccionava colares e pulseiras utilizando vários materiais típicos do nordeste, como pedras, sementes, contas, búzios e palha-da-costa. Ela trabalha com artesanato há 25 anos e garantiu que a atividade ''faz bem para a cabeça e para alma''. ''É muito gratificante porque nos renova e é uma alegria participar de uma festa nordestina como esta. Nós acabamos fazendo amizades e conhecendo várias pessoas'', destacou. Em sua opinião a festa deveria ser realizada mais vezes por ano, por valorizar o povo e a cultura nordestinos.
Foi com esse intuito que Raimundo Maia Campos Júnior, mais conhecido como Ceará, criou a festa. ''Dizer que não existe preconceito contra os nordestinos é uma utopia, mas tenho sentido que isso tem diminuído cada vez mais'', destacou. Ele afirmou que o objetivo da festa é contribuir para a divulgação dos hábitos e costumes do Nordeste brasileiro, eliminando qualquer tipo de preconceito. Ele também ressaltou a importância que a festa tem para quem veio daquela região e não tem condições de retornar à terra natal. ''Conheço muitos conterrâneos que vieram há 30 ou 40 anos para cá e não conseguiram mais voltar e um evento como esse ajuda a matar a saudade.''
Se depender dos acarajés e dos vatapás de Maria Neusa Santos Silva, essa saudade pode ser reduzida em um instante. A baiana de Ilhéus já fez seus acarajés para muita gente famosa e conta que deixou sua terra natal há 30 anos. Em suas andanças pelo País com seu tabuleiro, ela confidencia que Londrina é um dos locais que ela guarda no coração. ''O povo daqui tem muito axé e é muito caloroso. Sempre nos recebe com muita alegria'', contou.
Quem compareceu à festa aprovou o tempero do acarajé de Dona Neusa. A cuidadora de cães Edna Oliveira e sua filha, a psicóloga Etienne Oliveira, vieram provar a culinária nordestina e elogiaram a iguaria. ''Estava muito bom e muito gostoso'', ressaltou Etienne, que se declarou amante da cultura nordestina, principalmente do forró e da culinária. Sua mãe revelou que a paixão deve-se à ascendência da família que é do Nordeste. ''Nós somos formados por uma mistura de baianos, mineiros e índios, então temos um pezinho lá no Nordeste'', brincou Edna. As duas já visitaram estados do Nordeste e relataram que ''só faltou uma rede para descansar para relembrar de lá''.
As barracas de gastronomia e cultura ficam abertas hoje e amanhã das 12 horas até a meia-noite e haverá forró e shows cênicos musicais a partir das 21 horas. Hoje, a programação cultural prevê a realização do baile do idoso entre 14 horas e 18 horas e banda de músicos de Londrina às 19 horas. Amanhã a programação contará com apresentação do Clube do Choro às 19 horas. A exposição de artes segue até o dia 30 deste mês. A entrada é gratuita.


