Um paranaense que dá lição à crise
A crise econômica mundial pegou pesado com os nipônicos e também com os imigrantes que tentavam ganhar a vida no conjunto de ilhas do Oceano Pacífico. Estimativas indicam que 50 mil dekasseguis brasileiros retornaram ao Brasil desde o final de 2008.
Filho de um brasileiro com uma mestiça, o londrinense Wellington Honório Gonçalves, 18 anos, o ''Tinho'', é apresentado em um documentário de mais de 30 minutos produzido por uma televisão estatal japonesa como ''o garoto que não quer perder para a crise''.
Tudo ia bem para a família Gonçalves, que estava no Japão desde 2004. A mãe Stella tinha uma empresa de decoração de festas infantis, e o pai, também Wellington, era operário em uma fábrica.
Em outubro de 2008, a recessão chegou e os clientes de Stella sumiram. Em dezembro, com outros 400 brasileiros, o pai de Tinho foi demitido. No mesmo dia, depois da notícia ruim, uma boa: o menino havia sido aprovado no concorrido vestibular da Universidade de Kanazawa para o curso de Estudos Internacionais. Junto com a carta de aprovação, a relação de custos obrigatórios com livros e material didático: US$ 6 mil.
Sem fonte de renda e também sem perspectiva de emprego, não havia outra opção para a família que não fosse o retorno ao Brasil. Wellington optou por ficar, pois a chance de boa educação era única.
Ficaram pai e filho. O documentário da TV japonesa acompanhou o dia a dia dos dois, mostrando a pouca comida na geladeira e o escasso dinheiro sendo economizado para a passagem de volta. A salvação foi um financiamento estudantil do governo japonês, que oferece US$ 800 por mês.
Morando em um alojamento para estudantes na cidade de Kanazawa, com quase a mesma população de Londrina, Wellington já está adaptado à rotina de estudos que vai das 8h45 às 18h30 e se diz feliz. Questionado sobre ser um exemplo, ele responde com timidez. ''Não é ruim. Se minhas experiências servirem de motivação e derem forças para alguém já é o bastante. Mas eu não esperava isso''. Os planos para o futuro são ambiciosos, a meta é uma carreira no Japão, Estados Unidos ou Europa. (W.S.)





