Um paranaense na linha de frente
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Davi Baldussi<br>Especial para a FOLHA 
Cambé - Há pouco mais de um ano, no dia 12 de janeiro de 2010, um dos maiores desastres naturais de todos os tempos atingiu o país mais pobre das Américas: o terremoto no Haiti. Foram cerca de 220 mil mortos e 1,5 milhão de desabrigados. O Brasil participa ativamente do processo de reconstrução da ilha. Nos últimos seis meses, mais de 500 militares paranaenses fizeram parte das Forças de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), incluindo o cambeense Reinaldo Vanzan. Ele retornou ao Paraná no último sábado e está no quartel, em Curitiba, para passar por exames médicos.
Terceiro-sargento do Batalhão de Infantaria Blindado, Vanzan estava no Haiti desde julho de 2010 e foi como voluntário, assim como todos os militares que serviram ao seu lado. ''Aprendi muito a dar valor ao que temos e que antes de reclamar de algo devemos olhar para o lado e pensar no que vamos dizer'', afirmou ele, que vive em Curitiba com a esposa e dois filhos. Para ele a maior dificuldade foi justamente a saudade da família. ''Estava ansioso para voltar para casa. Em breve devo ir a Cambé visitar meus pais'', planeja.
Além da saudade, Vanzan precisou lidar com um cenário de caos. O país ainda tem muitas construções em ruínas, enfrenta uma epidemia de cólera, que já vitimou mais de 3 mil pessoas, e também uma eleição conturbada. O primeiro turno aconteceu em novembro de 2010, mas a Organização dos Estados Americanos (OEA) já recomendou que seja feito novo pleito, diante de uma série de ''irregularidades significativas''. ''O período pós-eleitoral foi muito tenso, com várias manifestações, pois todos querem saber quais são os candidatos que vão ao segundo turno'', disse.
Para piorar ainda mais a situação, o ex-presidente haitiano Jean-Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc, acusado de violação dos direitos humanos, voltou ao país e quer retornar à cena política. Por 15 anos, ele governou o país mantendo milícias e sob suspeitas de corrupção. Ao deixar o Haiti, depois de uma reação popular em 1986, Baby Doc seguiu para a França onde ficou exilado durante 25 anos.
Tropas de outras partes do Brasil já partiram para o Haiti para dar continuidade à Missão da ONU no país. Até 15 de fevereiro, espera-se que todos os militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica que chegaram ao país em julho do ano passado já tenham retornado ao Brasil. No mesmo dia em que Vanzan chegava a Curitiba, uma tropa com 92 homens de Brasília e 38 do Rio de Janeiro embarcava para o Haiti.


