Um Papai Noel em cada canto
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sábado, 21 de dezembro de 2002
Sid Sauer<br> Equipe da Folha 
Campo Mourão No auge de seus seis anos, uma das poucas certezas que Gustavo tem na vida é que Papai Noel existe. ''Eu vi ele na televisão e ele me traz presente sempre no Natal'', explica o menino. Nestas quentes noite de dezembro, quando sai para passear com os pais pelas ruas do centro de Campo Mourão e se depara com um Papai Noel diferente em cada esquina, Gustavo sabe separar o ''falso'' do ''verdadeiro'' bom velhinho.
''O Papai Noel de verdade eu só vi na televisão'', conta Gustavo. O menino não tem dificuldades para explicar porque os papais noéis que desfilam pela cidade são de mentirinha. No Calçadão, por exemplo, ele encontra um deles com mais de três metros de altura, mãos enormes, mas dedos imóveis e pernas tão curtas ou normais quanto a do seu pai. ''Esse Papai Noel grandão nem cabe no trenó'', ressalta.
Ao atravessar a rua e parar na Praça São José, o menino observa logo que aquele Papai Noel de pernas compridas, parecendo uma vareta, não pode ser o verdadeiro. ''Esse até está de perna de pau. Como é que ele vai entrar pela chaminé com essas pernonas?'', ridiculariza o atento menino. Andando mais um pouco, lá aparece outro ''bom velhinho'' que não pode ser o verdadeiro.
''Esse tá muito magro. Ele tem que almoçar mais pra ficar forte'', observa Gustavo, obtendo a confirmação da mãe. Enquanto o menino ainda olha para o Papai Noel sem barriga, um outro ''bom velhinho'' passa pela rua. Gustavo olha rápido, afinal, esse parece o verdadeiro. Não tem mãos gigantes nem pernas de pau. Usa óculos, tem um sorriso simpático e uma risada de ''rô-rô-rô!'' igual ao verdadeiro da televisão.
A ilusão de Gustavo, porém, se desfaz rapidamente. O Papai Noel parece o verdadeiro, mas ao invés de renas, seu trenó é puxado por um carro. ''Não, esse também não é'', frisa o garoto. Ao dobrar a esquina, mais um Papai Noel aparece. A aparência dele é boa e deixa Gustavo em dúvida outra vez. No lugar dos presentes, no entanto, o saco tem apenas balas. Mais uma vez, um Papai Noel de mentirinha.
Mas Gustavo não se desanima. Volta para casa feliz, com o brinquedo escolhido e a certeza que o Papai Noel de verdade está lá longe, no Pólo Norte, conferindo a lista de presentes e, impreterivelmente, estará em Campo Mourão, assim como nas casas das crianças de todo o mundo, na noite de Natal.


