Curitiba - Apesar da divulgação cada vez mais constante da importância de praticar alguma atividade física, o paranaense, assim como os moradores dos outros Estados brasileiros, continua avesso ao exercício.
De acordo com o suplemento de saúde da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2008, divulgado no final de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano retrasado apenas 11% da população paranaense com idade igual ou superior a 14 anos se mantinha ativa nos períodos de lazer. Índice apenas levemente superior ao nacional, que foi de 10,5%.
Nos critérios da pesquisa do IBGE, manter-se ativo no lazer era, no período dos últimos três meses antes da coleta dos dados, ter praticado futebol, basquete, ginástica aeróbica, corrida (inclusive em esteira) ou tênis durante pelo menos três dias por semana, com duração diária mínima de 20 minutos, ou outra modalidade de exercício físico ou esporte por ao menos cinco dias por semana, durante 30 minutos ou mais.
Ao mesmo tempo em que repudia a atividade física, a maioria da população paranaense recorre à televisão com grande frequência nos momentos de lazer. Segundo o suplemento de saúde da Pnad-2008, no ano retrasado 61,5% do total de habitantes do Paraná assistia à televisão por mais de duas horas diariamente. Nacionalmente, o índice registrado foi de 63,5% nessa faixa de assistência. Números que indicam uma forte tendência ao comportamento sedentário.
Computadores e vídeo-games, ainda inacessíveis a muita gente devido ao alto preço, já representam uma arma importante do sedentarismo. Em 2008, 14% da população brasileira utilizava esses equipamentos durante duas horas ou mais diariamente fora do período de trabalho. No Paraná, 16,5% mantinham esse hábito na mesma proporção.
''Os grandes concorrentes, entre os jovens, são os jogos virtuais. A criança fica na frente de uma máquina que têm recursos muito mais apelativos do que a atividade física. E a atividade física é muitas vezes colocada como treinamento, ou seja, uma coisa chata'', opina Sérgio Luiz Carlos dos Santos, chefe do Departamento de Educação Física da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
''Ainda assim, acho a televisão mais 'perigosa', pois no Brasil nem todo mundo tem computador. Ela entra na casa das pessoas sem pedir permissão. Ainda existem programas de TV que falam da importância da atividade física, mas são poucos. Além do incentivo ao sedentarismo, a televisão acabou com o hábito da família de comer junto, corretamente'', argumenta.
O professor destaca que a atividade física precisa ser desenvolvida sempre respeitando as características e os interesses da pessoa. Um equívoco nessa abordagem pode gerar desinteresse por parte do jovem. ''Com adolescentes, que estão numa idade de transição e mudanças, é necessário muito cuidado na questão de como trabalhar isso'', explica Santos.
A respeito da difusão da atividade física entre adultos, o professor acredita que as pessoas nessa faixa etária têm menos resistência ao exercício, pois já têm a cultura da atividade e sabem dos malefícios provocados pelo sedentarismo.
''Mas ainda existe a dificuldade da falta de informação. Outro dia, estive em uma cidade pequena do interior do Paraná e na praça havia uma academia ao ar livre. Porém, o lugar estava vazio porque não havia profissionais para orientar as atividades. A orientação é necessária para atrair o interesse e evitar que sejam cometidos excessos'', diz Santos.
''Para reverter essa falta de interesse pela atividade física, acredito que o mais importante é começar na base, nas escolas. Nos Estados Unidos, há uma cultura esportiva disseminada nas escolas. E isso em qualquer cidade, tenha ela 2 mil ou 2 milhões de habitantes. Acredito que as TVs e os conselhos de educação física também podem ajudar divulgando informações, mas não adianta fazer campanhas pontuais sem esse trabalho nas escolas'', complementa o professor.

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