Paulo WolfgangVisitaO ouriço escolheu uma árvore da rua Julião de Souza Santana para fugir da rotina da mata. Mas seus espinhos acabaram por amedrontar a vizinhança e logo correu o boato de que eles eram venenosos. O jeito foi transferi-lo para o Parque Arthur Thomas


Lá no conjunto Maria Cecília, Cincão, zona norte, é assim: quando um ouriço quer ouriçar, ele sai da mata onde mora, anda umas duas quadras pra cima e, faceiro, sobe numa das árvores da rua Julião de Souza Santana e fica ali ouriçando a molecada que, ouriçada, não dá sossego pro bichinho que fica todo assustado, pulando de galho em galho, sem saber o que fazer e não entendendo o porquê de tanta fuzarca debaixo da árvore.
E se, há cerca de 3 meses, a árvore escolhida foi a que fica em frente da casa de Ezequiel do Nascimento, anteontem, na volta do bichinho, foi visto já de manhã pela molecada - e aí foi um ouriço só - empoleirado em cima da árvore plantada defronte à residência de Júlia Calcanhoto Mata, que não quer matar o ouriço, apenas protegê-lo de possíveis agressões.
Quando ele se instalou na árvore, por volta das 9 horas, a descoberta de alguns espinhos pontiagudos que ele deixou pelo caminho, já foi suficiente para espalhar pela vizinhança o boato de que os espinhos do ouriço são venenosos. Diante disso, e pensando na integridade física das crianças e também do animal, Júlia apelou às autoridades.
Depois de tentar o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), IAP (Instituto Ambiental do Paraná), Bombeiros, foi finalmente atendida pela Polícia Florestal que, no entanto, não pôde fazer nada já que não dispunha de uma viatura para transportar os soldados até o local. Júlia foi orientada a deixar o ouriço em paz que a noite ele voltaria pra mata.
Com a experiência adquirida na vez anterior, quando levou o ouriço - ‘‘Não sei se é o mesmo’’ - de volta para a mata, Ezequiel do Nascimento garante que o bichinho não ataca ninguém, mas que, enfezado, pode disparar seus espinhos contra possíveis agressores. ‘‘Ele não morde, mas se enfezar ele joga os espinhos numa distância assim, mais ou menos meio metro’’, assegura Ezequiel, dizendo que se não estivesse molhado subiria na árvore, pegaria o ouriço e, como da outra vez, o levaria para a mata.
Na Polícia Federal, à tardinha, por coincidência o cabo Prado tinha acabado de chegar do conjunto Maria Cecília. Já com a viatura à disposição, ele foi atender ao telefonema de Júlia e pegou o ouriço trazendo-o para ser solto na floresta do Parque Arthur Thomas. ‘‘Se não tivesse aquele bando de criança embaixo da árvore, ele pegava o caminho de volta e ia embora’’, comentou o cabo, reforçando a afirmação de Ezequiel de que o ouriço é um animal manso que, quando atacado, se defende lançando espinhos ‘‘a pouco menos de um metro’’.
Cabo Prado acredita que existam outros ouriços - ‘‘Se tem um, tem mais por lᒒ - na mata do conjunto Maria Cecília. Portanto, se eles aparecerem, nada de ficar ouriçado que o bichinho não faz mal pra ninguém, só está dando umas voltas pelo local onde antes andava sem dar satisfações a quem quer que seja e sem causar nenhum ouriço.

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