Um novo futuro para 28 adolescentes
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quinta-feira, 08 de setembro de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A vida de 28 adolescentes de Londrina que cumprem medidas sócio-educativas ganhou cores mais promissoras nos últimos dias. Até então lembrados muito mais pelos seus deslizes e conflitos com a lei do que por suas qualidades e habilidades intelectuais, eles foram absorvidos por regionais de empresas estatais no ''Programa Adolescente Aprendiz'' do governo do Estado e já estão trabalhando na Sanepar, Copel e Ceasa. Em todo o Estado, a meta é incluir socialmente e capacitar para o mercado de trabalho pelo menos 700 jovens.
Na Copel, 12 adolescentes foram integrados à empresa há cerca de duas semanas e, segundo a assistente social Léia Beatriz Cayrez Piresso, a experiência está sendo bem sucedida. Em todo o Estado, a Copel vai empregar 100 aprendizes. ''Estamos indo com cuidado e eles não estão tendo nenhuma dificuldade'', elogiou a coordenadora do projeto na empresa.
Os adolescentes recebem por hora trabalhada, o que dá uma média de R$ 150,00 mensais, contam com vale-alimentação de R$ 194,00, vale-transporte e todos os direitos garantidos aos demais funcionários como Fundo de Garantia, férias, 13º salário e abonos. Além da obrigatoriedade de frequentarem o ensino regular, quem participa do projeto também tem aulas uma vez por semana no curso de aprendiz em serviços administrativos no Serviço Nacional do Comércio (Senac).
E os primeiros resultados do projeto são visíveis no rosto dos adolescentes. Com 17 anos, um dos adolescentes vinculados à Copel resumiu o sentimento geral: ''tenho minha vida de novo e não quero nem relembrar o meu passado. Hoje vejo que tenho cabeça para ser uma pessoa''. Apreendido por furto e assalto, hoje o garoto sorri ao falar de si e, como todo adolescente, aguarda com ansiedade o futuro que ainda irá escrever. Meio tímido diante de tanta mudança, outro aprendiz de 15 anos que também virou funcionário da Copel disse que viu no projeto uma chance de transformar a própria vida. E está gostando muito da experiência. ''Está sendo muito bom porque a gente não fica mais pela rua'', apontou o menino.
A regional da Sanepar também topou o desafio de oferecer um futuro de oportunidades melhores para outros 15 adolescentes. Na semana passada, eles foram apresentados aos demais funcionários durante o café da manhã e começaram a aprender, de fato, no início da semana. O gerente regional da maior empresa de saneamento básico do Estado, Oscar Fernandes, precisou que em todo o Paraná a Sanepar irá absorver 100 adolescentes aprendizes entre 14 e 18 anos, de ambos os sexos. O estágio tem duração de um ano, podendo ser renovado por mais 12 meses.
Para Fernandes, o programa é interessante porque as empresas conseguem fazer um trabalho social importante. Mas lembrou: ''a responsabilidade social para com os adolescentes é de toda a sociedade e não só do governo ou de empresas estatais e outras empresas também podem dar sua contribuição''. É bom ressaltar porém que este programa não prevê a adesão de empresas privadas.
Em Londrina, além da Copel e da Sanepar, o entreposto do Ceasa também aderiu ao projeto. A Central de Abastecimento integrou em seus quadros um adolescente.


