Um novo coração para 2011
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Micaela Orikasa<br>Reportagem local 
Nos últimos dias que antecedem o Ano Novo, uma família de Cambé (Norte) foi contemplada com um gesto de solidariedade. Nas primeiras horas de ontem, ela recebeu a notícia de que um novo coração estava a caminho da Santa Casa de Londrina. O receptor é um homem de 52 anos, que sofria com uma dilatação do miocárdio (músculo cardíaco que reveste o coração) e, por inúmeras vezes, deu entrada no pronto-socorro do hospital. A solução para este caso, era um transplante.
A doadora, uma jovem de 26 anos, sofreu um aneurisma cerebral e teve a morte encefálica confirmada na manhã de segunda-feira. Ela estava internada no Hospital São Lucas Sag, em Cascavel, e a doação de seus órgãos - coração, fígado, pâncreas, rins, ossos e globo ocular - foi autorizada pela família e intermediada pela Organização de Procura de Órgãos (OPO) de Cascavel.
Os órgãos seguiram para Curitiba e Londrina. Segundo a assessoria da Santa Casa de Londrina, as válvulas do coração do receptor serão aproveitadas em um outro transplante, que deverá ser realizado em Curitiba.
A cirurgia para receber um novo coração teve início às 9 horas de ontem e terminou por volta das 15 horas. Ainda segundo a assessoria, o paciente passa bem, mas ainda requer cuidados intensivos.
A implantação das OPOs nas Regionais de Saúde e Hospitais de Curitiba, Ponta Grossa, Londrina, Maringá, Cascavel e Campina Grande do Sul foi uma medida encontrada pelo governo para ajudar na identificação de possíveis doadores de órgãos. As equipes também são responsáveis pela abordagens às famílias.
Segundo as estatísticas da Central Estadual de Transplantes em Curitiba, só no Paraná, 3.219 pessoas esperam por um órgão. Esse número é representado por receptores ativos (em que o transplante é o último recurso) e semiativos (que ainda aguardam mais exames ou fazem tratamentos complementares).
Os dados foram colhidos até o mês de novembro e revelam ainda que o transplante mais comum é o de córnea, com 762 cirurgias realizadas este ano, seguido do transplante de rim, com 269 pessoas atendidas.
Já a fila por um novo coração é formada por 49 paranaenses. Até o mês passado, foram realizados 10 transplantes, mas um novo dado, colhido neste mês, revela mais 4 novos casos. O transplante de coração é o que possui menor prazo. Ele deve ser feito até 4 horas após ser retirado.


