Londrina - Por horas, elas esqueceram das agulhas, dos remédios e das dores e vivenciaram o verdadeiro espírito de Natal. Ontem de manhã, cerca de 110 crianças que fazem tratamento no Hemocentro/Setor de Quimioterapia do Hospital Universitário (HU) em Londrina eram só alegria.
Na companhia da família, elas andaram de trenzinho, pularam na cama elástica, fizeram uma pausa para o lanchinho e realizaram o desejo de encontrar o Papai Noel.
E para a alegria de toda criançada, o bom velhinho chegou do jeito que elas imaginavam: barbudo, de roupa vermelha e com um saco nas mãos. "Eu sabia que ele usava óculos e tinha a barba bem grande", comentou Hagata Correia, de 7 anos.
Entusiasmada com o momento, ela ainda contou que escreveu uma carta ao Papai Noel. "Pedi uma boneca, mas para ganhar tenho que me comportar e obedecer a vovó", disse, ao lado de Francisca A. Silva Correia.
Quem também encomendou o presente ao bom velhinho é João Gabriel Rossato Teodoro, de 6 anos. Ele tem um câncer raro que atinge os tecidos musculares e espera ganhar uma camiseta igual ao do craque Neymar. "A festa está ótima. As crianças interagem e nós, pais, também nos distraímos. Todo mundo alivia a dor e esquece dos problemas", ressalta a mãe Izabela.
Enquanto observava o filho João Pedro, de 5 anos, brincar na cama elástica, Cleonice P. Voltolini se sentiu tranquila e emocionada. Ela, que acompanha o tratamento dele em quimioterapia e radioterapia há seis meses, conta que o ponto mais importante da festa foi a atenção dada às crianças. "É um verdadeiro clima de Natal, ainda mais sabendo que tudo é feito por voluntários. São pessoas que não estão ganhando por isso. Fazem de coração mesmo e as crianças estão amando", observa.
Realmente, essa é a sensação que toda conta do lugar. Ao chegar na festa, se descobre que todos os brinquedos, comidas e presentes são frutos de doações e solidariedade. "Toda a alegria das crianças ao ganhar brinquedos e se divertir é multiplicado para nós. É tudo feito com muito amor e muitos parceiros", define Dorian Rocha Guerra, voluntária no HU há sete anos, uma das organizadoras.
Mas entre tantas brincadeiras e guloseimas, destacaram-se também os desejos de todos os familiares dessas crianças. Eles esperam que 2014 seja um ano de muita, mas muita saúde. "Meu pedido e esperança é que essas crianças se curem. Que acabe o sofrimento de todos", diz Cristiane Simione de Paula, com a pequena Gabriela, de um ano e meio, que está em tratamento contra a leucemia.
A festa de Natal do HU foi promovida pelos voluntários do hospital e da ONG Viver e acontece há sete anos.

mockup