Cascavel - Desde que nasceu, Pedro nunca soube o que era sentir vontade de comprar uma roupa e não ter dinheiro para isso. Por ser filho único, ele sempre recebeu as maiores regalias de toda família. Os pais sempre se preocuparam em preencher a possível lacuna existente pela falta de irmãos. Não ter outros filhos foi uma decisão tomada pelo casal, por isso entendiam que deviam dar o melhor ao filho único.
Como morava em uma cidade pequena, quando chegou a época de prestar o vestibular, ele se mudou para Cascavel a fim de estudar em uma escola particular, pois seu sonho e dos pais era que fosse médico. Por ser um filho exemplar, os pais não se preocuparam em alugar um apartamento para Pedro morar.
A nova vida de quase independente começou a mudar a cabeça do garoto, então com 16 anos. Se em sua cidade ele respeitava as ordens e os horários determinados pelos pais, agora ele podia fazer o que vinha em sua cabeça, sem que ninguém lhe cobrasse. Na escola começou a fazer algumas amizades, que certamente não seriam aprovadas pelos pais.
Pedro já não se preocupava tanto em realizar o sonho de passar no vestibular. Ia à escola mais para encontrar aqueles ‘‘amigos’’. Quando falava por telefone com os pais, dizia que estava tudo bem e que não precisavam se preocupar.
À distância, os pais não percebiam que Pedro estava entrando numa verdadeira roubada. O menino que sempre teve dinheiro para realizar suas vontades começou a usar os recursos enviados pelos pais para comprar aquilo que ele achava que poderia lhe deixar ‘‘mais alegre’’. Cada vez pedia mais dinheiro, e mesmo assim os pais não percebiam que havia algo de errado.
Pedro continuava se afundando nas drogas. O dinheiro enviado pelos pais nunca era suficiente para atender seu vício. A saída foi deixar de pagar a mensalidade da escola. Depois de dois meses de atraso no pagamento, a direção da escola decidiu entrar em contato com seus pais. Mais que depressa eles vieram para Cascavel para saber o que estava acontecendo.
Ao entrarem no apartamento e se depararem com o estado lastimável do filho, eles perceberam o que havia de errado. Aquele menino simples do interior não existia mais. Os pais se sentiam culpados por terem permitido que o filho morasse sozinho em uma cidade grande.
Mesmo sabendo que o sonho de ter um filho médico seria adiado, eles decidiram levar Pedro para casa. Acreditavam que perto deles o filho único conseguiria se livrar das drogas. Mas estavam enganados, pois esse mal não escolhe família nem cidade para tomar conta do pedaço. E até hoje, Pedro continua mentindo aos pais e usando aquilo que está acabando com seus sonhos.

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