Roma - Itália Roma resgata hoje sua vocação histórica de ''caput mundi'' (capital do mundo, em latim) ao acolher cerca de um milhão de turistas provenientes de todo o mundo para a beatificação do Papa João Paulo II, celebrada na Praça São Pedro por Bento XVI.
Uma multidão de diversas línguas em festa à qual o próprio João Paulo II habituou Roma, com o poder que tinha de transformar as cerimônias no Vaticano em eventos de massa. Apesar de a cidade estar acostumada a aglomerações, os números desta vez impressionam: dois mil policiais escalados para garantir a segurança, atiradores de elite posicionados em pontos estratégicos, espaço aéreo fechado sobre o Vaticano, mergulhadores que vigiarão o Rio Tibre.
Na cerimônia de hoje, a primeira registrada pelo Vaticano em câmeras 3D, estão presentes 62 delegações de chefes de Estado e de governo de todo o mundo. O vice-presidente da República, Michel Temer, representa o governo brasileiro. Em nome da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), está o Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer.
Dias antes da cerimônia, nas praças, nas ruas, os turistas já exibiam com orgulho a bandeira do país de proveniência, como é o caso da londrinense Rosângela de Fátima Conceição, que há sete anos mora em Palma de Majorca, na Espanha, mas que veio a Roma especialmente para a cerimônia. O entusiasmo é tão grande, que Rosângela dormiu na rua para garantir um espaço dentro da Praça São Pedro: ''Eu sou da geração João Paulo II, um papa inesquecível, uma pessoa que foi próxima do povo, que marcou nossa história como católicos.''
Rosângela encontrou a cidade toda enfeitada para acolher os peregrinos: 14 telões espalhados pela capital transmitem sem interrupção imagens do pontificado de Karol Wojtyla; cartazes recordam frases que marcaram sua especial relação com os jovens; quiosques oferecem informações e vendem souvenires do papa polonês. Até a Praça São Pedro deixou de lado a sobriedade que caracteriza esse tipo de celebração. Do lado esquerdo, as colunas de Bernini foram decoradas com uma imagem gigantesca de João Paulo II.
A celebração de hoje é o ápice de uma série de iniciativas organizadas pela prefeitura e pelo Vicariato de Roma. Na sexta-feira, o caixão contendo o corpo de João Paulo II foi retirado do túmulo na cripta vaticana e esta manhã será levado até o altar central da Basílica de São Pedro, onde será exposto durante a beatificação.
Na noite de ontem, no ''Circo Massimo'', a programação incluía uma vigília de oração, em conexão ao vivo com cinco santuários marianos, entre eles o de Fátima, em Portugal. Na vigília, deveriam acontecer testemunhos importantes, como o da Irmã Marie Simon-Pierre, a freira francesa cuja cura milagrosa do mal de Parkinson abriu o caminho para a beatificação. E amanhã, essa maratona se encerra com a missa de ação de graças. A cerimônia deste domingo, todavia, ainda não é o ato final do escrupuloso caminho rumo à canonização. Outro milagre deve ser comprovado para que João Paulo II possa ser finalmente considerado o que já é para milhares de fiéis: santo.

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