Um mês que precisa terminar
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sexta-feira, 20 de dezembro de 2002
Ana Setti<br>Reportagem Local 
Londrina - Tudo muda porque dezembro chegou. É inevitável o balanço de fim de ano, o olhar para o passado, a expectativa quanto ao futuro, com base na incerteza do presente. O ritmo da cidade se altera. A agitação natural se intensifica. Compras, férias, telefonemas, cartões, correria... para despachar, fechar, saldar, resolver. Há uma premência por soluções e uma tristeza, mesclada de angústia, porque nem tudo pode ser solucionado. Na verdade, nada muda, apesar de ter se encerrado mais um ciclo formal, cronológico, de vida. Apenas avança e se desdobra em um novo calendário.
Assim mesmo, a ilusão funciona e as pessoas ficam tensas, ansiosas, sensíveis. Uma conversa banal, numa loja qualquer, pode trazer lágrimas aos olhos. A paixão pelo futebol - final de campeonato - tem o sentido do extravasamento das emoções acumuladas. Os encontros corriqueiros transformam-se em congraçamentos, repletos de votos e desejos, só porque o ano está terminando. Pensa-se mais em dinheiro, o que é possível juntar, de onde tirar, para gastar logo ali, no presente, nas festas, nas viagens de férias. Cresce a ansiedade pelas reuniões - inevitáveis - porque há nelas pessoas que não se gostaria de ver nunca e outras, quem sabe, que valha a pena rever. Cobram-se muito as conquistas, uns dos outros. Quem avançou, quem recuou, quem perdeu, quem ganhou. Dessa forma, em um mês que, por causa do Natal, caracteriza-se pela preocupação com o espiritual, o materialismo se exacerba.
E, ao som das doze badaladas, que repercutem por toda a cidade como um eco esperançoso por respostas, este mês vibrante de emoções desencontradas precisa terminar, para que se acredite na possibilidade (presente todos os meses do ano) de mudar, de se transformar, de recomeçar.


