Um mês para adequar calçadas no Centro
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sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Vítor Ogawa <br>Reportagem Local 
A um mês do término de adequação das calçadas no quadrilátero central de Londrina, muitos imóveis ainda não seguem os padrões estabelecidos pelo Código de Posturas do Município. De acordo com a nova legislação, os proprietários têm até o dia 25 de novembro para implantar pisos táteis, rampas para cadeirantes em esquinas, eliminar ondulações, depressões, buracos ou fendas, manter uma inclinação de 2% e utilizar pisos antiderrapantes.
A lei visa padronizar as calçadas para permitir a acessibilidade, pois o que se vê atualmente são várias calçadas inapropriadas para a circulação de cadeirantes, idosos, deficientes visuais, mulheres com carrinhos de bebês, entre outros.
''A sensação que fica depois de circular por essas calçadas é de que o corpo apanhou muito, de tanta trepidação. Eu preciso fazer muita força para manter o equilíbrio e tenho dificuldades de manter a minha cabeça ereta diante de tantos desníveis, ondulações e buracos'', destacou a professora de Educação Física Marli Cristina Brussolo, 44 anos, paraplégica há três anos, após sofrer uma lesão medular. Com a ajuda de Paula Ortiz, presidente da Associação Esporte Atitude (entidade que congrega paradesportistas londrinenses), Marli circulou pelo Centro da cidade para relatar à FOLHA as dificuldades enfrentadas no dia a dia.
O trajeto teve início na Rua Souza Naves, onde está localizado um hospital e várias clínicas de saúde frequentadas por cadeirantes. Diante dos buracos nas calçadas, a cadeira de rodas de Marli se desequilibrou. Ao descer pela Rua Alagoas, havia uma construção sem calçada, o que dificultou a passagem.
No entorno do Cemitério São Pedro, os passeios públicos ainda não estavam adequados. Não havia piso tátil e foram encontradas várias fendas no piso. A roda da cadeira ficando presa em uma fenda e Marli quase caiu. Na Rua Professor João Cândido, cavaletes em frente de uma guia rebaixada impediam o acesso à calçada, embora o proprietário do imóvel tenha sido solícito e se oferecido para retirá-los. ''Além disso, muitas pessoas estacionam os seus carros em frente dessas guias rebaixadas'', criticou Paula.
Na subida da Rua João Cândido rumo ao Terminal Urbano, foi possível constatar ondulações, depressões e calçadas sem manutenção, o que fazia a cadeira de rodas trepidar. Na Praça Sete de Setembro, que foi reformada recentemente para a colocação do piso tátil, várias pedras de petit pavet estavam soltas.
Entre a Avenida Paraná e a Rua Benjamin Constant o problema de ondulações no piso se agravou. ''É como se fosse uma montanha-russa'', declarou Marli, mas a diferença é que no brinquedo os assentos ficam presos em carros que correm sobre trilhos e existe um dispositivo de segurança com freios e barras.


