Um menino embirra enquanto o sol castiga
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terça-feira, 08 de janeiro de 2002
Walter Ogama 
Uma criança chora sob o sol forte das 12 horas. Plantada no ponto de ônibus, ela quer ir para casa depressa. A mãe, infelizmente, tinha acabado de cumprir uma agenda de pequenas compras e pagamentos nos crediários de algumas lojas no centro da cidade. Aquisições de antes do Natal, cujas contas já começam a vencer.
O menino embirra, esperneia, e de vez em quando, exagera nos gritos.
Deve ser fome, minha senhora.
Nem o senhor que diz isso demonstra estar convicto. Ele mais fala para tentar consolar a mulher, que não encontra como fazer o menino se comportar.
Na verdade, o garoto queria um refrigerante, daqueles de latinha. A mãe, usando o argumento de estar na hora do almoço, negou.
Refrigerante agora não. Senão você chega em casa e não come nada.
Foi assim que começou a birra. Agora, o menino até transpira. Ele sabe que, chegando em casa, vai receber umas palmadas. Mas o efeito que esperava, de colocar a mãe em desespero, foi atingido. Ele mistura lágrimas com suor. Ela também transpira.
Comerciantes e comerciários próximos observam, por pura curiosidade. Uma senhora comenta com alguém que até compraria um refrigerante de latinha para o menino, se esse ato não representasse uma afronta à autoridade da mãe.
Um vendedor de amendoins, deselegantemente, pára bem perto e olha, como se aquilo fosse um espetáculo. O ponto de ônibus, bem no centro de Londrina, na Avenida Celso Garcia Cid, não tem cobertura. O sol castiga a todos: atores e público.
E o choro rompe a longa via, em decibéis que encobrem o ruídos dos carros. São muitos veículos no horário de almoço em Londrina. Gente que já se alimentou, outras que buscam suas refeições em casa. Todos, ao sol, observam. Uma criança embirra e desconcerta a mãe. Sob o sol forte de um ponto de ônibus sem cobertura.


