Um luthier no Lago Igapó II
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quarta-feira, 06 de outubro de 2010
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
Um apaixonado pela arte. Assim pode ser definido Genaro Pereira da Silva, o ex-eletricista que produz artesanalmente violinos, contrabaixos e violoncelos. Desde que se aposentou, há 14 anos, ele se tornou um luthier - pessoa que se dedica à produção de instrumentos de corda com caixa de ressonância - e neste tempo estima que tenha feito cerca de 50 instrumentos, que hoje estão espalhados pelo Brasil. Ainda sem uma oficina montada, o artesão trabalha em um cenário inusitado: o Lago Igapó II.
''Já vendi para músicos de Sergipe, Alagoas, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Bahia. Meu maior orgulho é quando um músico toca algo feito por mim e elogia o som'', afirma.
O artesão explicou que a sonoridade e a qualidade de cada instrumento é medida pela simetria e pelas angulações da peça. ''É isso que define a vibração e por consequência, o som emitido. É um trabalho muito meticuloso, cheio de detalhes,'' explicou.
Todo o tempo livre de Genaro é dedicado aos instrumentos. Ele leva cerca de dois meses para produzir um único violino ou um violoncelo. Já o contrabaixo exige mais tempo por conta do tamanho e demora cerca de 120 dias para ficar pronto.
''A madeira usada para a produção dos violinos é importada da Alemanha, uso pedaços de abeto, átilo e ébano. Isto garante um melhor resultado e permite a produção de instrumentos top de linha. Para os violoncelos e o contrabaixos geralmente uso madeira nacional, por serem maiores'', explica.
O trabalho realizado por Genaro é totalmente artesanal, durante a execução não é utilizado nada elétrico. ''Não existe fórmula para se produzir um violino. As ferramentas que uso para fazer as medições não estão à venda nem nas lojas mais especializadas. Todas as ferramentas utilizadas pelo Luthier são produzidas por ele próprio, e assim eu fiz. O verniz é natural, um produto importado e passado manualmente no instrumento, sem nenhum tipo de bomba ou compressor.''
Apesar de construir violinos, violoncelos e contrabaixos, Genaro ainda não se sente realizado. ''Meu sonho agora é construir uma harpa. Ja decidi que no ano que vem vou em busca do conhecimento necessário para produzir este instrumento tão lindo. Acho que vou precisar ir para o Paraguai por que lá as harpas são mais comuns do que aqui no Brasil.''
O artesão ainda não possui sua própria luthieria, a ''oficina'' do luthier. ''Na minha casa não há espaço suficiente para eu produzir os instrumentos, mas já estou programando uma reforma. Enquanto isso não acontece, escolhi um dos lugares mais lindos da cidade para trabalhar: um tronco às margens do Lago Igapó II.''


