O patrimônio de Água da Esperança, na beira da PR-443, é lugar de encher os olhos dos nostálgicos. Construções da década de 1950, que outrora foram farmácia, açougue, venda de secos e molhados e outros estabelecimentos comerciais que serviam ao povo dos sítios da região nos tempos dos cafezais, estão enfileirados, parede com parede, do outro lado da praça que abriga a capela de Nossa Senhora do Rosário, imponente e conservada. Hoje, os prédios servem de moradia para meia dúzia de famílias.
Há cinco décadas, Água da Esperança era lugar agitado, movimentado, cobiçado pelos políticos, que já passavam por ali prometendo que um dia a estrada ganharia pavimentação. Quem conhece bem a história é o radialista Antônio Godoy, da Rádio Alvorada, de Londrina, nascido por lá. Ele é filho de Pedro Pereira Godoy, atualmente com 90 anos e morando em Londrina. Pedro é que deu nome ao povoado, quando ali encontrou água boa brotando da terra, depois de dizer a todos que tinha esperança de que encontraria o líquido precioso naquelas terras. O próprio doou parte do sítio para que surgisse a igreja e a vila.
''Meu pai tinha uma propriedade de 11 alqueires e quatro famílias morando dentro dela. Eram porcenteiros, meeiros, trabalhadores do café. Assim era em toda a região, com pequenas propriedades dando trabalho a muitas famílias. Especialmente, havia muitos proprietários japoneses. Depois veio a mecanização e o êxodo rural'', comenta Antônio Godoy, que deu os primeiros passos na profissão de radialista, que ele exerce há 41 anos, no ''serviço de porta-voz radiofônico da excelsa padroeira Nossa Senhora do Rosário'', um sistema de rádio que funcionava pelos alto-falantes da capela da Água da Esperança.
Sobre a estrada, o radialista recorda que ''todas as cores partidárias'' prometeram asfaltá-la, mas ninguém nunca cumpriu o prometido. ''Os políticos iam até lá para fazer comício. Lembro que na mesma disputa foram Nelson Maculan e Ney Braga. Ambos prometeram. Ney ganhou, mas não asfaltou.''
Moradores antigos da região, os amigos Alaor Aparecido da Fonseca, 56, e Israel de Paula da Silva, 65, não perdem a esperança. ''Se asfaltar, eu compro uma bicicleta'', promete Alaor. ''O movimento daqui é grande por causa do pedágio. Há também muitos caminhões que tiram barro do Tibagi e circulam pela estrada. O asfalto tem que vir'', emenda Israel, buscando otimismo enquanto vê o vilarejo quase ficando fantasma. O último golpe do progresso veio no ano passado, quando o posto telefônico foi desativado e a funcionária, filha de Israel, transferida para Rancho Alegre. O sinal de celular chegou e um orelhão substitui as ligações antes feitas via telefonista. Só falta o asfalto. (W.S.)

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