Um lar para idosos e crianças de rua
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de agosto de 1997
Luis Taques Londrina 
Marcos BorgesAmparoJustiniana, 86 anos: casamento aos 52 anos e viuvez no Lar das Vovozinhas Paulista de Tatuí, Justiniana Pinheiro só se casou aos 52 anos de idade. Foi amor à primeira vista, como ela faz questão de dizer. Eu o conheci dentro de uma Igreja Metodista, ficamos noivos no mesmo dia e nos casamos pouco tempo depois, recorda. O casamento prolongou-se por duas décadas.
Manoel Passos, o marido de Justiniana, morreu após submeter-se a uma cirurgia de hérnia em São Paulo, para onde viajou, deixando a mulher em Jaguapitã (46 quilômetros ao norte de Londrina). Ele era bonzinho demais, não era homem ciumento, tinha confiança em mim, relembra, com carinho, Justiniana Pinheiro. Baiano bom era o meu Manoel, afirma.
Ela deixou Jaguapitã há dois anos, quando mudou-se para Londrina para fazer tratamento médico. Justiniana está com 86 anos. Em Londrina, ela mora no Lar das Vovozinhas Gilda Marconi. O lar foi fundado em março de 1959. Aparecida Pereira, 64 anos, também mora no lar desde 1995. A gente tem de gostar de viver aqui, pois na rua não dá, lá é pior, diz.
O Lar das Vovozinhas é administrado pela Sociedade Espírita de Promoção Social. Sobrevivemos graças às contribuições que recebemos da prefeitura e de várias pessoas da cidade, que nós chamamos de sócios e de colaboradores voluntários, explica Élio Fernandes, diretor-presidente da Sociedade Espírita. No Lar das Vovozinhas vivem 24 senhoras. Há dois anos, a sociedade inaugurou uma outra casa, num prédio vizinho, onde agora moram nove velhinhos. Mensalmente, as despesas do Lar das Vovozinhas giram em torno de R$6.000,00.
Há 44 anos, a sociedade mantém o Albergue Noturno Raul Faria Carneiro. A capacidade do albergue é para 65 pessoas (entre homens e mulheres). No albergue, a pessoa tem direito a pernoitar várias vezes seguidas. Mas geralmente, algumas pessoas acabam ficando mais tempo, principalmente porque necessitam dar continuidade a tratamento médico na cidade, salienta o administrador.
Ao chegar ao albergue, o hóspede recebe pijamas para dormir. Servimos janta e um café da manhã reforçado, diz Élio Fernandes. Todas as noites, ao lado do albergue, a Sociedade Espírita serve o sopão para aquelas que trabalham à noite ou preferem dormir mesmo na rua. O sopão também é servido aos sábados para aproximadamente 200 famílias do Jardim Olímpico, um bairro carente da zona oeste da cidade.
A Casa do Caminho é outra instituição que é mantida pelos espíritas. Lá vivem 29 internos. Em torno de 100 crianças passam o dia aqui para que as suas mães possam ir trabalhar, ressalta Tânia Regina Motta Rosa da Silveira, administradora da casa. A casa tem 22 funcionários. Os gastos com pessoal chegam a R$4.700,00, sem contar os encargos sociais. Sobrevivemos praticamente de doações e das nossas promoções, diz Tânia.


