Marcos BorgesAmparoJustiniana, 86 anos: casamento aos 52 anos e viuvez no Lar das Vovozinhas Paulista de Tatuí, Justiniana Pinheiro só se casou aos 52 anos de idade. Foi amor à primeira vista, como ela faz questão de dizer. ‘‘Eu o conheci dentro de uma Igreja Metodista, ficamos noivos no mesmo dia e nos casamos pouco tempo depois’’, recorda. O casamento prolongou-se por duas décadas.
Manoel Passos, o marido de Justiniana, morreu após submeter-se a uma cirurgia de hérnia em São Paulo, para onde viajou, deixando a mulher em Jaguapitã (46 quilômetros ao norte de Londrina). ‘‘Ele era bonzinho demais, não era homem ciumento, tinha confiança em mim’’, relembra, com carinho, Justiniana Pinheiro. ‘‘Baiano bom era o meu Manoel’’, afirma.
Ela deixou Jaguapitã há dois anos, quando mudou-se para Londrina para fazer tratamento médico. Justiniana está com 86 anos. Em Londrina, ela mora no Lar das Vovozinhas Gilda Marconi. O lar foi fundado em março de 1959. Aparecida Pereira, 64 anos, também mora no lar desde 1995. ‘‘A gente tem de gostar de viver aqui, pois na rua não dá, lá é pior’’, diz.
O Lar das Vovozinhas é administrado pela Sociedade Espírita de Promoção Social. ‘‘Sobrevivemos graças às contribuições que recebemos da prefeitura e de várias pessoas da cidade, que nós chamamos de sócios e de colaboradores voluntários’’, explica Élio Fernandes, diretor-presidente da Sociedade Espírita. No Lar das Vovozinhas vivem 24 senhoras. Há dois anos, a sociedade inaugurou uma outra casa, num prédio vizinho, onde agora moram nove velhinhos. Mensalmente, as despesas do Lar das Vovozinhas giram em torno de R$6.000,00.
Há 44 anos, a sociedade mantém o Albergue Noturno Raul Faria Carneiro. A capacidade do albergue é para 65 pessoas (entre homens e mulheres). No albergue, a pessoa tem direito a pernoitar várias vezes seguidas. ‘‘Mas geralmente, algumas pessoas acabam ficando mais tempo, principalmente porque necessitam dar continuidade a tratamento médico na cidade’’, salienta o administrador.
Ao chegar ao albergue, o hóspede recebe pijamas para dormir. ‘‘Servimos janta e um café da manhã reforçado’’, diz Élio Fernandes. Todas as noites, ao lado do albergue, a Sociedade Espírita serve o sopão para aquelas que trabalham à noite ou preferem dormir mesmo na rua. O sopão também é servido aos sábados para aproximadamente 200 famílias do Jardim Olímpico, um bairro carente da zona oeste da cidade.
A Casa do Caminho é outra instituição que é mantida pelos espíritas. Lá vivem 29 internos. ‘‘Em torno de 100 crianças passam o dia aqui para que as suas mães possam ir trabalhar’’, ressalta Tânia Regina Motta Rosa da Silveira, administradora da casa. A casa tem 22 funcionários. Os gastos com pessoal chegam a R$4.700,00, sem contar os encargos sociais. ‘‘Sobrevivemos praticamente de doações e das nossas promoções’’, diz Tânia.

mockup