Começou como uma brincadeira de juntar livros. Anos depois, a vizinhança do Jardim Veraliz (Zona Oeste de Londrina) passou a contar com uma biblioteca com mais de 2 mil títulos, entre livros, enciclopédias e gibis. Fruto da dedicação de um jovem incentivador da educação e cultura. Bastante jovem, aliás.
O responsável pelo acervo é o estudante Luiz Fernando Souto de Camargo, de apenas 12 anos. Com a ajuda de colegas da escola, ele dedica a maior parte de seu tempo livre à biblioteca. E cuida de tudo, da organização das obras ao controle dos empréstimos e coleta de doações.
E o que leva o jovem a dedicar-se com tanto afinco é o amor à leitura, certo? Errado. A exemplo de muitas crianças, Luiz Fernando nem gosta muito de ler. Os livros são companheiros próximos do estudante mais por obrigação. ''Leio mais o que as professoras mandam. Não sou muito fã, não'', comenta, sem muita empolgação.
Mas quando o assunto é a biblioteca, o ânimo do estudante muda. Ele entusiama-se para contar como a brincadeira de criança transformou-se num acervo razoável e revela os planos para o futuro. O objetivo é aumentar a coleção cada vez mais e abrir novos pontos em locais carentes da cidade.
E que ninguém duvide do menino que teve os pais como primeiros doadores de livros. As obras ficavam no guarda-roupa, que logo ficou pequeno para tantos exemplares. A solução foi montar a biblioteca num imóvel ao lado da casa da família. O pai até abriu mão do objetivo de alugar o local.
Hoje, o acervo está organizado em estantes de ferro e improvisadas com tijolos e tábuas. Cada exemplar é carimbado e numerado e os empréstimos são gratuitos. Como é praxe nas bibliotecas, o prazo para devolução é de uma semana. A diferença é que ainda não há penalidade para quem descumprir a norma.
A coleção inclui diversos exemplares do Guiness - O Livro dos recordes, enciclopédias como a Larrousse e Conhecer e dezenas de obras para crianças e adolescentes. Mas até livros de Medicina podem ser encontrados.
Mas aumentar o acervo é uma verdadeira obsessão do estudante. Para isso, Luiz Fernando e um grupo de amigos não poupam esforços. Organizam rifas e coletam doações nas proximidades. Muitos livros que hoje estão à disposição da comunidade foram salvos de ser jogados no lixo. Outros foram comprados em sebos, contando, é claro, com a colaboração dos pais do pequeno empreendedor cultural.
O espaço, de acordo com Luiz Fernando, é procurado por colegas de escola, professores e vizinhos. Ele acredita que o número de frequentadores pode aumentar ''se mais gente ficar sabendo da biblioteca.'' Aí, então, basta procurá-lo no local. Se estiver fechada, é só chamar na casa ao lado.
Mas o jovem não está sozinho nessa. Alguns colegas da Escola Estadual Gabriel Martins também costumam passar o dia na Biblioteca Egydio Terziotti, batizada em homenagem ao avô do ''fundador.'' Maria Luiza Andrade, 13, Bruna Stephano, 12, e Luiz Gustavo Lisboa, 13, são alguns dos fiéis escudeiros de Luiz Fernando. Participam desde a arrumação das prateleiras até a organização de festas para comemorar cada aniversário da biblioteca, criada exatamente em 16 de julho de 2001. Ao menos essa é a data em que o estudante e a prima Graziela Camargo, 14, decidiram começar a brincar de juntar livros.

Serviço - Doações para a Biblioteca Egydio Terziotti podem ser feitas através do telefone (43) 3347-0027.

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