Água duas vezes por semana e uma enorme paixão. Com estes dois ingredientes aparentemente simples, a dona de casa Antonia Breni Franco garante, todos os anos, um espetáculo de primeira grandeza. O palco fica bem perto dos olhos, no estreito corredor que leva aos fundos de sua residência, na Vila Brasil (Centro), em Londrina. No muro de aproximadamente 15 metros, que em outros meses é tomado pelas pequenas folhas verdes da hera, florescem nesta época dezenas de pés de dendrobium, espécie rústica de orquídea, conhecida popularmente como 'olho de boneca'.
A profusão de cores enche os olhos dos visitantes e alegra o dia a dia da família e da vizinhança. ''Tem uma moça que mora ali no prédio que me contou que fica admirando as flores da janela, com um binóculo'', orgulha-se Antonia. A primeira experiência de afixar uma muda da delicada orquídea no muro foi feita há cerca de sete anos. Deu tão certo que outras foram aos poucos tomando conta de todo o espaço. ''Acho que a posição em relação ao sol ajuda'', diz a dona de casa, explicando que os raios incidem diretamente sobre as plantas por pouco tempo. Na maior parte do dia, o sol bate do outro lado do muro, transferindo apenas o calor para o ''jardim suspenso'' de dona Antonia.
Apesar da beleza das flores, ela conta que dedica-se menos do que gostaria a elas. ''Não uso nem adubo. Só jogo água umas duas vezes por semana, quando lavo o chão. Elas não me dão trabalho nenhum, mas bem que eu gostaria de ficar o dia inteiro cuidando delas. As plantas não deixam a gente ficar doente.'' A família mora na casa, há quase 30 anos, e Antonia nem sonha em sair de perto de seus pés de dendrobium. ''Adoro morar aqui'', atesta.
Cultivo fácil
Mesmo sem conhecer muito sobre os hábitos das delicadas orquídeas que povoam seu quintal, Antonia parece ter criado as condições ideais para o seu desenvolvimento. Segundo sites especializados, a dendrobium é um gênero diverso, apresenta cerca de 1.190 espécies, não apresenta grandes dificuldades de cultivo e tem boa resistência ao clima tropical.
A maioria é tolerante à luminosidade alta (em torno de 60%), podendo tomar raios de sol no início da manhã e no final da tarde, mas deve estar na sombra entre 11 horas e 15 horas.
Pode ser cultivada em árvores, paredes ou vasos. A maioria das espécies cultivadas é oriunda da Índia, Sudeste Asiático, Austrália e Nova Guiné. Encontram-se espalhadas, naturalmente, desde a Índia até a Nova Zelândia.

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