Um jardim para
provar o amor
pela esposa morta
Se os túmulos dos milagreiros chamam a atenção do público pelas suas supostas graças e recebem milhares de visitantes no Dia de Finados, um outro serve como exemplo do amor que une duas pessoas além da morte. Meio que escondido atrás da adminitração do Cemitério São Pedro, ao lado do muro que faz divisa com a Rua Alagoas, o túmulo de Angelina Lourenço de Lima é uma prova singela do carinho que seu marido, o aposentado Joaquim Dias de Lima, 72 anos, tinha pela esposa.
Seo Joaquim transformou o pequeno espaço da sepultura em um verdadeiro jardim, com gramado, arbustos tipo pingo de ouro e tuia, além de trepadeiras floridas, vasos de flores e samambaias. Para proteger, colocou também um toldo e azulejou todo o muro lateral. ‘‘Ela gostava muito de flores e plantas. Aí resolvi fazer um jardim para ela’’, conta.
O aposentado não esconde a saudade e a falta que a mulher, morta há dois anos, lhe faz. ‘‘Nós íamos completar 50 anos de casados no ano que vêm’’, diz. Para minimizar a dor, vai duas vezes por semana ao cemitério cuidar do túmulo. De vez em quando, os quatro filhos ajudam. ‘‘Mas eu venho sempre. Acho que é também uma forma de respeito para com ela’’, afirma.
Mais que o luxo do mármore e os enfeites de bronze, seo Joaquim diz que o importante é a lembrança. ‘‘Não adianta luxo se não tem amor. Tem tanta gente que nem lembra de seus mortos, nem no Dia de Finados’’, aponta. (T.E.)

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