Um jardim na UEL para contemplar
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quarta-feira, 04 de junho de 2014
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina - Ao contrário dos jardins que estamos acostumados a frequentar, os de estilo japonês não estão em qualquer lugar. Isso porque seu propósito é de ser um espaço de meditação e contemplação ao abrigar elementos simbólicos da cultura oriental.
Tanto a disposição quanto as formas dos materiais seguem uma linha filosófica, onde, por incrível que pareça, os aspectos visuais como textura e cores são menos importantes. "Cada elemento representa a natureza e nossa própria vivência", comenta o engenheiro civil, especialista em jardim japonês, Luiz Omoto.
Ele foi o responsável pelo projeto paisagístico do jardim do Núcleo de Estudos da Cultura Japonesa (NECJ) da Universidade Estadual de Londrina, que será oficialmente inaugurado na sexta-feira. Esta será a primeira vez que uma universidade implanta em seu espaço físico um jardim japonês.
Para dar vida e sentido ao projeto, Omoto visitou cidades do Paraná e do interior de São Paulo para encontrar elementos harmônicos aos aspectos filosóficos. E agora, no espaço onde era ocupado apenas por concreto, a natureza e tradição se fazem presentes.
Ele explica que o pé de sakura (cerejeira ornamental) assume um lugar importante na cultura japonesa, pois é conhecida como a flor da felicidade. "Não poderia ficar de fora", diz. As lanternas de pedra, estrategicamente distribuídas para não ofuscarem a visão, induzem à concentração e ajudam a clarear a mente. Já a água, representada no jardim por pedras brancas, simboliza fertilidade e prosperidade.
Outro item fundamental é o taiko bashi (ponte), que caracteriza uma evolução para um nível superior em termos de amadurecimento e autoconhecimento. As pedras dispostas na posição vertical representam a figura do pai, e na posição horizontal, a mãe. As demais são os descendentes.
Para concluir toda a composição, foram plantados bambus de modo que cresçam curvados para a água, como uma reverência à natureza. "Sendo aqui um local de estudos da cultura e língua japonesa, necessitava de algo concreto, que representasse a filosofia contemplativa da cultura japonesa", explica a diretora do Núcleo, professora Estela Fuzzi.
De acordo com ela, a batalha para conseguir um jardim japonês para o Núcleo começou há quatro anos, mas por questões burocráticas o projeto só foi concretizado agora com a ajuda essencial de Omoto.
Destaque
Criado há 19 anos, o NECJ da UEL atua em três frentes: ensino, pesquisa e extensão. As aulas de língua e cultura japonesas atendem a comunidade interna, mas também externa e internacional, por meio dos intercâmbios.
Por ano, a unidade recebe uma média de cinco alunos intercambistas, por meio de um convênio com universidades do Japão. Além disso, durante o mês de setembro a instituição recebe uma delegação de 20 estudantes durante uma semana. Nesse tempo, eles se dedicam aos estudos e palestras, com temas relacionados ao folclore brasileiro e imigração japonesa no Brasil.
Pela relevância do trabalho e os laços estreitos com universidades japonesas, o NECJ é uma referência em todo o país. E agora ganha destaque pela implantação do jardim japonês. "A UEL é a única universidade do país a ter um jardim tão importante quanto simbólico", diz Estela.


