Um hospital amigo da criança
No final do mês de dezembro de 1995 o Hospital Evangélico deu mais um passo importante em sua história de conquistas. Recebeu o título de Hospital Amigo da Criança, concedido pelo Ministério da Saúde, Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Organização Mundial da Saúde. Este prêmio, instituído em 89 durante um encontro mundial sobre aleitamento materno na Itália, só foi concedido a três hospitais do Paraná. No interior, o Evangélico foi o único a recebê-lo até agora.
Para conquistar o título, foi preciso adotar e cumprir os Dez passos para o incentivo ao aleitamento materno (ver texto nesta página). Isso significou a reformulação de todo o Serviço Materno Infantil do hospital, para que o recém-nascido fique o máximo de tempo possível ao lado da mãe. Nos partos normais, assim que nasce o bebê já suga o seio da mãe, e todos só recebem leite artificial se for estritamente necessário. Com medidas como estas, a maternidade do Evangélico tornou-se modelo em todo o Estado.
Nossa luta pelo aleitamento materno representa uma luta para que todas as crianças, independentemente das variáveis econômicas e sociais, tenham as mesmas chances de sobrevivência, pelo menos até os seis meses de idade. A frase, escrita no texto de abertura de um material de divulgação da maternidade e dos 10 passos ditados pelo Unicef para conquistar e manter o título de Hospital Amigo da Criança, representa a importância da iniciativa.
Segundo a consultora de aleitamento e coordenadora do Programa Amigo da Criança no Evangélico, enfermeira Lylian Dalete Soares de Araújo, além de cumprir as exigências para a obtenção do título, o hospital tem feito alguns avanços, implantando outras medidas que aumentam a qualidade dos serviços prestados pela instituição. Entre elas está a criação de curso gratuito para gestante (todas as terças-feiras, das 13h30 às 16h30) com atendimento interdisciplinar, no qual são ministradas palestras por enfermeiras, nutricionistas, psicólogos, fonoaudiólogos e médicos, além de seções de dinâmica de grupo e socioterapia.
Também é permitido que o pai acompanhe o parto normal, aumentando o vínculo com o filho e proporcionando mais segurança à mãe; o primeiro banho do bebê pode ser dado com a ajuda dos pais, logo após o nascimento; a mãe de bebês prematuros recebe uma cartilha especial e pode acompanhar o filho internado durante todo o dia, o que acelera a recuperação do bebê; o pai não é considerado visita e pode permanecer no quarto o tempo que quiser.
Para aumentar a comodidade e estimular a presença das mães de bebês que ficam internados, criamos uma sala de conforto junto ao berçário, com sofás, TV, vídeo e tudo que elas precisam para ficarem bem instaladas, explica Dalete. Outra novidade é o Sistema de Cuidado Integrado, implantado no início deste ano, onde a mesma funcionária que cuida do bebê é responsável também pelos cuidados com a mãe. Segundo Lylian Dalete, isto melhora muito o atendimento para ambos, pois dá ao profissional a possibilidade de uma visão global do binômio mãe/filho.
A enfermeira lembra também que depois que o Evangélico conquistou o título de Hospital Amigo da Criança aumentou muito a procura pelos serviços da maternidade. Nós passamos de uma média de 85 partos por mês para aproximadamente 150, informa. Além disso, iniciativas tomadas como resultado do programa projetaram o nome da instituição. O disk-mama, serviço telefônico que funciona 24 horas por dia para esclarecer dúvidas sobre aleitamento de mães que já tiveram alta, tem atendido inclusive pacientes de outros hospitais e até profissionais de outras cidades, observa Dalete.
De acordo com a coordenadora do projeto, os grandes desafios agora são manter a qualidade conquistada e conseguir baixar o índice de cesarianas, uma das exigências incluídas pelo Ministério da Saúde para que os hospitais que conquistaram o título de Amigo da Criança não sejam excluídos do programa. Há um ano tínhamos um índice de cesáreas em torno de 70%. A partir de um trabalho de conscientização das mães e da própria comunidade médica das vantagens do parto natural, conseguimos baixar entre 8% e 9% estes números, o que é bastante significativo, comemora Dalete.Cesar AugustoDemanda maiorLylian Dalete: conquista do título quase dobrou a procura pelos serviços da maternidadeSilvana Leão





