Lucas Demétrio Conceição, 15 anos, compareceu ao ginásio de esportes Moringão no último dia 15, inscrevendo seu nome e de outros 57 colegas do Grupo Escoteiro Olhos de Águia como voluntários no combate à dengue. Ontem, o submonitor do grupo, sediado no Conjunto São Lourenço (zona Sul), se arriscou para realizar o trabalho: subiu muros e embrenhou-se em mato cerrado. Nada que um escoteiro não tenha feito antes. Hoje, os garotos do Olhos de Águia continuam junto com os agentes da dengue, em um arrastão do bairro.
Nunca como agora teve tanta importância subir uma coluna para verificar se uma caixa d'água, com a tampa escancarada, servia ou não como criadouro para as larvas do Aedes aegypti, o mosquito do dengue. Os agentes municipais de Saúde ficaram apreensivos com os malabarismos de Lauro e de alguns colegas escoteiros. Afinal, os voluntários não precisam desempenhar tarefas tão complicadas.
Para os garotos, no entanto, foi tarefa levada a sério. Lauro analisou com cuidado a caixa d'água, que não estava nas melhores condições. ''Tem até um passarinho morto aqui dentro'' - exclamou. A larva do Aedes aegypti, no entanto, não foi encontrada. Os escoteiros tamparam devidamente a caixa e seguiram adiante no trabalho.
Nem mesmo o sol forte e o calor causaram contratempos. O estudante Aurélio Rodrigues Cavalheiro, 15 anos, disse que era voluntário não apenas por ser escoteiro sênior. ''Moro aqui no bairro e achei bom colaborar para afastar o perigo da dengue'', lembrou, enquanto vistoriava atentamente quintais e terrenos baldios. Damião Severino Santana, um dos coordenadores de equipe dos agentes de dengue, gostou do auxílio da meninada. ''Eles estão dando uma ajuda providencial'', afirmou.
Willians Barbato, 14 anos, e Bruno Xavier, 12, seguiam um outro pequeno grupo. Suavam não apenas por causa do calor: tiveram trabalho para vasculhar casas e jardins, de onde recolheram diversos objetos que empoçavam água das chuvas.

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