'Um grande desafio para a criatividade'
A obra de Artigas ''é de um valor extraordinário'' e, para que seja didática, o engenheiro José Augusto Queiroz sugere o retorno à finalidade primeira: estação rodoviária. Mas receberia somente os ônibus de cidades vizinhas (Bela Vista do Paraíso, Rolândia, Ibiporã e outras) que trazem trabalhadores.
Corresponde ao desejo manifestado pelo arquiteto Vilanova Artigas antes da desativação, que se deu em 1988. Mas há divergências. À época da construção, empresários reprovaram a localização, alegando que os ônibus tinham de vencer uma subida e o espaço de manobra seria exíguo. O prefeito Hugo Cabral considerou as queixas extemporâneas, não apresentadas antes.
No livro ''Artigas e Cascaldi, Arquitetura em Londrina'', Juliana Suzuki relata que os autores desistiram de fechar as abóbadas lateralmente com vidro, ao imaginarem custos de manutenção face a eventuais quebras. ''Tal fato explicaria a altura da cobertura, que provocava um certo desconforto para os usuários em dias de chuva.''
A marquise na entrada pela Rua Sergipe exige que as pessoas mais altas se abaixem. ''Ela era um pouco mais alta quando a construí. Creio que cedeu um pouco, o que é perfeitamente normal'', alegou Artigas. E os pés-direitos, com 2,40m, ''mostraram-se impróprios para uma rodoviária, reforçando a sensação de aperto de que se queixavam os usuários''. Atualmente, há indicativos de que o tráfego de carros ao redor polui o prédio e interfere na estrutura. Contudo, a repercussão da estação rodoviária elevou Artigas e Carlos Cascaldi entre os expoentes da arquitetura moderna brasileira, observa Juliana.
Londrina foi ''um grande desafio para a criatividade de um jovem arquiteto'', cujo ''temário se enriqueceu com extrema facilidade'', disse Artigas em 1983. ''O espírito dos pioneiros sugeria uma liberdade de criação que talvez não encontrasse em outros locais do país.''
Artigas e Carlos Cascaldi chegaram a Londrina em 1948 e fizeram 12 projetos, dos quais sete construídos. (W.S.)





