Um fotógrafo itinerante
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2006
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Abatiá - Quase todas as ruas de Abatiá (Norte Pioneiro), são percorridas diariamente por Valdir Lopes, 38 anos, o popular Bala. Trabalhando como fotógrafo desde os 15 anos, ele nunca teve estúdio ou ponto fixo de trabalho. Sempre fui volante, ressalta.
Simples e de sorriso fácil, Bala impressiona pela humildade. Não faz propaganda do seu trabalho e tão pouco agenda horários para fazer fotografias. Sua rotina é sair todas as manhãs com a máquina fotográfica no pescoço e a mochila com seus materiais no ombro, sem rumo e sem horário para voltar.
Nunca bati no portão de ninguém, as pessoas me vêem passando e pedem para que eu fotografe. Faço a foto para alegrar a meninada, depois, caso não comprem, não tem problema, explicou.
Aos poucos, ele vai mostrando o grande arquivo fotográfico que tem em sua mochila. São inúmeras cenas de famílias reunidas, moças fazendo poses e tudo de diferente que passa pela cidade: grandes caminhões, carros importados e animais. O arquivo de Bala é um relato do cotidiano de Abatiá nos últimos 23 anos.
O fotógrafo diz que, devido às suas andanças, é muito conhecido na cidade de 6,7 mil habitantes. Até os cachorros sabem meu nome, garante ele, que sonha em ser eleito vereador.
Em plena era digital, a máquina que carrega pendurada no pescoço ainda é analógica e os filmes são enviados a Londrina para revelação. Na mochila, ele tem uma pequena máquina digital que está sendo cada vez mais utilizada, devido à praticidade. Um computador também lhe faz falta. Bala tem que pagar para descarregar as fotos digitais e gravá-las em CD.
Mesmo gostando do que faz, seu sonho é ser ator e humorista infantil. Ele até já fez algumas peças, mas devido a dificuldade de encontrar outros atores abandonou o projeto temporariamente. Mesmo assim, continua fazendo de tudo para ver as crianças sorrindo. Quando sobra um dinheirinho eu compro doces e saio distribuindo para as crianças, não dá nem para descrever a alegria delas quando recebem o presente, conta.
Valdir é um tipo humano em extinção. A primeira vista parece um sonhador, mas conforme a conversa vai evoluindo, fica a impressão de se tratar de alguém que deixa a solidariedade falar mais alto. Muitas vezes não cobra pelos serviços que faz e do pouco que ganha com as fotos, aproximadamente um salário mínimo por mês, gasta boa parte ajudando os mais necessitados. Às vezes faço tanta caridade que não me sobra nada, mas não me importo, dessa vida não vamos levar coisa alguma. Deus está vendo o que fazemos de bom e seremos recompensados, finaliza.


