Não é só na variedade de sons, instrumentos e conteúdo pedagógico que a 33ª edição do Festival de Música de Londrina (FML) ganha atenção. Ao percorrer as ruas da cidade, é possível se deparar com músicos de diversas localidades, cada um com seu estilo, com sua paixão pela música.
De crianças a idosos, do rock ao clássico. Essas inúmeras possibilidades do festival revelam também um estilo de vida que vai além dos acordes. As gêmeas Karolyni e Karyni Da Vila, de 21 anos, são um exemplo, pois se destacam entre a multidão de alunos e professores.
A extravagância das cores presentes nos cabelos, nas tatuagens e nas roupas camuflam a timidez das musicistas de Maringá. Adeptas ao estilo rock, elas também se encantam com as composições clássicas de Bach e Beethoven.
"Esse estilo alternativo surgiu na pré-adolescência. Minha mãe estranhou muito e houve preconceito dentro e fora da família, pois muitas pessoas o associam à rebeldia, drogas. Mas isso não tem nada a ver. É apenas uma forma de nos expressarmos", diz Karolyni, que na companhia da irmã começou a ter aulas de teclado aos 6 anos.
"O gosto pelo rock foi influência do nosso pai. Com o tempo, procuramos estudar instrumentos mais populares como a guitarra, mas na escola havia somente vagas para o violino e o violoncelo. Eu nem sabia como era, mas acabei gostando, já minha irmã acabou trocando o violino pela viola de cordas", continua Karol.
Pela primeira vez no FML, Karyni busca uma evolução musical. Ela sonha em entrar para uma orquestra profissional e acredita que aqui tem a possibilidade de vivenciar essa experiência. Karyni sabe que sua imagem colorida não é tida como a mais adequada por outros músicos e profissionais. "Certa vez fui me apresentar em uma orquestra e me pediram para pintar o cabelo. Para mim, foi preconceituoso, uma falta de respeito", desabafa.
Ao contrário do que muitos pensam, as gêmeas dizem que as madeixas coloridas não são para chamar a atenção. "De quatro em quatro meses eu mudo a cor porque me faz bem. Eu gosto do colorido e pretendo continuar mudando, mesmo com as pessoas me perguntando porque eu sou assim", diz.
Karolyni é formada em Filosofia e pretende prestar vestibular para Música, curso que Karyni está no segundo ano. Elas estão participando de três cursos no FML e pretendem levar a experiência adquirida no festival para os palcos de Maringá, onde se apresentam como "Duo K".

Casa Talento
Direto de Natal, no Rio Grande do Norte, a musicista Lourena Kallahan, de 21 anos, também revela uma personalidade própria. O estilo é definido pela mecha rosa que mantém desde o ano passado. "O cabelo é uma característica muito forte e acho que o meu me diferencia. O engraçado é que todo mundo acha que toco guitarra, sendo que na verdade sou violinista", diz a garota, que saiu da terra natal pela primeira vez para estudar música e confessa gostar de chamar a atenção com o cabelo e saber que está sendo vista.
Ela conta que o violino é uma paixão descoberta na infância. "É um instrumento muito romântico, mas que ao mesmo tempo pode reproduzir sons aterrorizantes", descreve Lourena, que começou como bolsista no projeto Casa Talento, criado há 13 anos com o objetivo de oferecer inclusão social através da música, para crianças e jovens de famílias de baixa renda.
Hoje, Lourena toca na Orquestra Casa Talento e integra o grupo de seis musicistas selecionadas para vir a Londrina. "Pretendo levar essa bagagem para Natal e participar de mais festivais. Estou achando ótimo estar nessa cidade, pois há 15 anos minha professora do projeto participou e desde então falou que seria uma boa experiência para nós. Realmente, o FML é uma referência país afora", afirma.
O diretor da Casa Talento, Marcondi Lima, explica que o projeto atende 200 bolsistas e 100 mensalistas, com aulas de diversos instrumentos. A Casa conta com o patrocínio do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e Banco do Nordeste. "O custo é alto e tivemos que selecionar alunos que revelam um grande potencial e que fazem parte do grupo de violino Suzuki. Chegando em Natal, esses estudantes irão se apresentar em escolas públicas, como uma forma de divulgar a música, o instrumento e o conhecimento adquirido aqui", conclui.

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