''Um fato verídico no Sertão do Laranjinha''
Espírito Santo do Pinhal, Laranjinha, Vila do Pinhal e Vila Laranjinha foram os nomes anteriores a Ribeirão do Pinhal. Mas, nos primórdios, era o Sertão do Laranjinha, onde se enfrentaram índios e desbravadores, sucedendo um dos confrontos mais ásperos supostamente num período a partir de 1916. Nesse ano, os intérpretes José Cândido Teixeira e Augusto Avelar ''afastaram'' os índios, que seriam caingangues, até a cabeceira do Ribeirão do Pinhal, córrego hoje na periferia da cidade.
Desde que eram moleques, na década de 20, Tonico e Tinoco ouviam o pai contar ''um acontecimento verídico'' envolvendo Francisco Neves, que deixou o Estado de São Paulo levando a família, ''cachorrada e arma, que podia lhe valer, e o Sertão do Laranjinha lá foi ele conhecer''. Sucedeu que Neves e dois filhos, trabalhando na roça, viram-se cercados pelos índios, que só desistiram quando o cacique morreu, atingido por um tiro da espingarda. É o tema da moda de viola ''Sertão do Laranjinha'', de Tonico, Tinoco e Capitão Furtado, mencionando uma ''batalha de bugre''.
''Por volta de 1930, cantávamos esta moda numa festa da Fazenda Tavares, em Botucatu. Quando terminamos, um senhor de nome Gregório Agape, também violeiro, se apresentou dizendo que era cunhado de Francisco Neves'', relata Tonico no livro biográfico da dupla (*). Mais tarde, nas andanças pelo Norte do Paraná, apresentando-se em circos e cinemas, Tonico e Tinoco conheceram o Rio Laranjinha e Ribeirão do Pinhal, onde era o sertão.
Apesar de não ter sido eleito nas quatro vezes em que foi candidato a vereador, Antônio Messias da Silva, o ''Mickey'', é um dos moradores mais populares e sabe de cor a letra de ''Sertão do Laranjinha''. Associa-a, porém, a um fato menos distante, por volta de 1947, quando ainda era moleque. Pela memória de Antônio Messias, guaranis foram expulsos de um ponto na periferia da cidade: ''Os índios eram demais aqui, puseram fogo para eles irem embora''. (W.S.)
(*) ''Da Beira da Tuia ao Teatro Municipal - Tonico e Tinoco, a Dupla Coação do Brasil'', Editora Ática, 2. edição (1984).





