Quem ouve e estudante Lincoln Matheus Bueno, 11 anos, falar sobre preservação de meio ambiente pensa estar conversando com um adulto experiente no assunto. Morador do Conjunto Violin (Zona Norte de Londrina), ele participa há um ano da recuperação do Lago Cabrinha junto com a ONG MAE (Meio Ambiente Equilíbrio) e fala com propriedade do assunto.
''Descobri o trabalho da ONG por um cartaz na escola e quis saber o que era. Eu ajudo a plantar as árvores, regar, cuidar para que elas cresçam e depois para ninguém arrancar'', disse ele. A razão para tanta dedicação é a preocupação com o futuro. ''Para mim preservar essa área é tudo. As pessoas precisam entender que temos pouca natureza no mundo hoje e precisamos de mais. Eu estou fazendo minha parte. Meu sonho é que o Cabrinha seja um lugar com muito verde, limpo e agradável para as pessosa visitarem'', comentou.
Lincoln era uma das várias crianças e adultos que ajudaram a ONG a plantar quase 250 mudas de árvores no Cabrinha na manhã de ontem. ''Esse é o 5º plantio que fazemos aqui. Já concluímos toda a parte norte do lago e agora estamos começando a parte sul. E a participação da comunidade ajuda a manter o trabalho de plantio, evitando a depredação e o vandalismo'', afirmou a jornalista e membro da MAE, Laila Menechino.
De acordo com o biólogo e vice-presidente da ONG, Eduardo Panachão, a presença de árvores em uma área de 30 metros do leito de rios e lagos é importante. ''Elas evitam a erosão e o assoreamento dos rios, além de servirem de fonte de alimento para peixes. Os córregos dependem muito das árvores e com a participação dos moradores a mortandade do plantio caiu para apenas 10%'', afirmou.
As mudas, de espécies típicas da mata atlântica, foram doadas pela Secretaria do Meio Ambiente e pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''Temos mudas de araucária, tapiá, curticeira, luro-branco. Preferimos árvores típicas dessa região e que tenham um crescimento rápido, para evitar que sejam depredadas por vândalos'', disse.
Até quem não mora na região do lago participou do mutirão de plantio. O programador de produção Domingos Sávio Pereira, 46 anos, é do Jardim Alto da Boa Vista (Zona Norte) e não frequenta a região do Cabrinha. ''Mesmo assim eu venho ajudar a plantar porque acredito que se esse local for bem cuidado será um ótimo espaço para as pessoas. Vi o trabalho pelo jornal e, como gosto de plantas, decidi ajudar. Se todos fizessem um pouco, melhoraríamos muito a condição da nossa cidade'', comentou.

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