O recente acidente na usina nuclear no Japão e os conflitos políticos no Oriente Médio fizeram suscitar as discussões sobre a geração e uso de energia em todo o mundo. A primeira, pelos riscos que representa em função de eventuais vazamentos de radiação. Já a segunda, pela incerteza do fornecimento de petróleo oriundo daquela região, principal produtora mundial. Somando-se a estes fatores, frente ao significativo aumento populacional no último século, a demanda por energia de várias matrizes se faz cada vez mais necessária e indispensável ao desenvolvimento industrial.
Mesmo sendo detentor de uma bacia hidrográfica privilegiada, o Brasil já provou ter falta de planejamento na geração energética. Prova disso foi o grande racionamento de energia enfrentado por todo o país no ano de 2001. Além disso, após uma série de pequenos apagões pontuais, o desligamento total da Usina de Itaipu em 2009 desencadeou falta de energia em 18 estados brasileiros que ficaram total ou parcialmente sem luz por até 6 horas, deixando 60 milhões de brasileiros no escuro.
Vencida a ''crise'', o Brasil de agora se destaca e ganha cada vez mais visibilidade em função dos biocombustíveis, fabricado por exemplo a partir da cana-de-açúcar e, principalmente, pela futura exploração das reservas petrolíferas do pré-sal, que deverão posicionar o País entre os grandes produtores mundiais. Antevendo o colapso da energia fóssil dentro de algumas décadas, países como os Estados Unidos já buscam fontes alternativas. Tanto que, na semana passada, o presidente dos EUA, Barack Obama, visitou o Brasil na junto com uma comitiva empresarial interesse neste tipo de investimento.
Diante disso, entidades ligadas ao setor energético do Paraná aproveitaram o momento para apresentar as potencialidades do Estado na geração de energia ao grupo norte-americano. O presidente da Federação das Indústrias (Fiep-PR), Rodrigo da Rocha Loures, anunciou que existe a intenção de se formatar um Centro de Referência Global na área para trabalhar na diversificação de nossa matriz energética. Para tanto, ele reforça a importância do uso de fontes renováveis.
Conhecido principalmente por suas usinas hidrelétricas, especialistas ouvidos pela FOLHA dizem que o Paraná caminha fortemente rumo à disputa como um dos principais membros brasileiros no setor de energia, em áreas como petróleo e gás - um mercado de investimentos multibilionários - e biomassa. Ainda há muito o que se pesquisar e investir, principalmente em qualificação da mão de obra. As expectativas, contudo, se mantém otimistas. Prospecções do projeto ''Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense'', do Sistema Fiep, balizam essa constatação ao destacar o setor de energia como um dos mais promissores para o desenvolvimento da indústria.

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