Um esquadrão que não pode errar
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quarta-feira, 01 de julho de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Ameaças de bombas têm se tornado mais comuns no Paraná, e um dos motivos pode ser a facilidade de acesso às informações, via internet. O que muitos não conhecem, porém, é o grande risco que isto representa. Segundo o tenente Antônio Claudio Cruz, líder tático do Esquadrão Antibombas da Polícia Militar, que existe no Estado desde 1992, o maior perigo é para a própria pessoa que tenta montar o explosivo. ''É uma situação em que só se erra uma vez, porque o erro é fatal'', diz.
Em 2008, o esquadrão foi acionado 13 vezes. Desde o início deste ano foram atendidas outras seis ocorrências. ''A maior parte dos casos é de ex-namorados, ex-maridos que querem se vingar depois do fim do relacionamento'', relata. ''Não são incomuns também o uso de explosivos por criminosos'', conta o major Chehade Elias Geha, comandante da Companhia de Polícia de Choque da PM. Foi o caso da explosão que matou uma mulher em março deste ano, em Rio Branco do Sul (Região Metropolitana de Curitiba). Segundo Cruz, a perícia preliminar do local da explosão aponta que teriam sido utilizados cinco quilos de explosivos no atentado.
No mês de maio o grupo ganhou 11 novos integrantes, com o término do curso de formação. Já eram parte da equipe outros seis policiais. ''É um reforço para que a PM esteja preparada para atuar durante a Copa do Mundo de 2014'', explica Cruz.
Para se tornar parte do esquadrão, um policial militar passa por um treinamento que inclui até mesmo técnicas de produção de explosivos. ''Um dos trabalhos do esquadrão é fazer a perícia pós-explosão para determinar o tipo de explosivo usado e a quantidade'', informa.
O grupo, especializado em atuar em situações que envolvam explosivos, só é acionado quando a varredura realizada por policiais militares localiza um objeto suspeito. ''O nosso trabalho é identificar o tipo de explosivo e desativá-lo ou neutralizá-lo'', contou tenente Cruz.
Sangue frio
Ser um integrante do esquadrão exige sangue frio. Quando os policiais recebem um chamado, eles chegam ao local e fazem o isolamento para examinar o objeto. ''Fazemos uma inspeção e o isolamento para determinar que tipo de abordagem vamos tomar'', explica o tenente.
Em geral, a ação do esquadrão é para desarmar o artefato. Uma das táticas utilizadas é um canhão de água. ''Usamos esse recurso quando a embalagem do explosivo não é rígida'', explica. No caso de embalagens rígidas, é utilizado um detonador que desmantela a bomba sem acionar os explosivos.
O processo é conduzido por um policial que se aproxima do artefato protegido por uma roupa capaz de suportar a onda de choque produzida por 15 quilos de explosivos a três metros de distância. Apenas as mãos ficam descobertas. ''O técnico tem que ter sensibilidade na mão para realizar o exame do objeto e manipular peças e equipamentos'', conta Cruz.
Numa primeira aproximação, o policial inspeciona o objeto e colhe informações para que o grupo defina a abordagem. Depois, o policial volta a se aproximar do artefato, dessa vez para posicionar o canhão desruptor explosivista. Depois de desarmar o artefato, o policial precisa se aproximar mais uma vez para fazer uma última inspeção. ''Essa última análise é para verificar se ele foi desmantelado corretamente e se está realmente inerte'', explica.
''O grau de periculosidade é parecido com de outros grupos especializados da PM'', diz o soldado Joel Pereira da Silva. Silva está há 18 anos na PM e acaba de concluir a formação para se tornar especialista em bombas. Para ele a diferença entre o trabalho no esquadrão e o que ele realizava no Choque antes é a técnica. ''É um trabalho mais calculado, mais técnico. Usamos muita análise estratégica.'', conta.
''Tem que ler muito, se atualizar sempre e estar preparado'', completa o soldado Antônio Carlos Lopes, há quatro anos no esquadrão. ''A diferença é que aqui não podemos errar porque o erro sempre é fatal'', diz.


