Um espaço encantado dentro do hospital
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de novembro de 2008
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Dentro do Hospital Universitário (HU) de Londrina, há uma casa muito encantada, não tem remédio, não tem pomada. Ninguém pode chorar nela não, porque a casa é de diversão. E ela é feita com muito esmero: é a brinquedoteca.
Brinquedoteca, como o nome já diz, é um local feito para abrigar vários brinquedos. E, portanto, reunir várias crianças. Se um ambiente deste é sinônimo de alegria e diversão para a molecada, um lugar assim pode se transformar em um verdadeiro castelo encantado para meninos e meninas que precisam passar longas horas - ou mesmo dias - dentro do hospital.
No HU, a brinquedoteca funciona em uma casinha à parte, com aproximadamente 50 metros quadrados. Lá, há prateleiras repletas de brinquedos, livros gibis, mesas e cadeiras. Os móveis foram produzidos no próprio hospital, e os brinquedos foram adquiridos com a renda obtida da venda de cartões de Natal e por meio de doações. O atual espaço foi inaugurado em agosto de 2006, mas o serviço de recreação infantil vem sendo oferecido há 30 anos, e o local já funcionou também como sala de tevê.
Hoje, é um espaço exclusivo para crianças de 0 a 12 anos. ''Aqui não se colhe exames, não se faz consultas nem refeições. É um lugar exclusivo para diversão'', esclarece a recreacionista responsável pelo local, Lúcia Brunelli.
As crianças que frequentam o local o fazem na companhia de um responsável, o que incentiva uma maior interação familiar. Para as que não têm condições de ir até lá ou de permanecer por muito tempo, é possível levar os livros e brinquedos até o leito. Tudo para promover o bem-estar desses pacientes-mirins.
''A criança precisa de um espaço desse. Por mais que ela esteja doente, é a oportunidade para ela voltar a ser criança'', comenta Daiany Cristina Reis, 31, mãe da pequena Vitória, de 6 anos. Vitória ficou cinco dias internada para submeter-se a uma cirurgia do esôfago. ''Assim que ela retornou da cirurgia, já pediu para vir. Ajuda bastante na recuperação'', afirma. Ela conta que a filha tinha levado dois gibis de sua casa para o HU, e doou um deles para a brinquedoteca. ''Eu já tinha lido esse, então dei para que as outras crianças também pudessem ver'', justifica a garota.
A pequena Emily, 7 anos, já está habituada a passar tardes ali. Em tratamento no hospital, volta e meia ela precisa passar vários dias seguidos internada. Se não fosse a brinquedoteca, suas tardes seriam no leito, com um soro do lado. ''Se eu não a trago para brincar, ela chora'', conta a mãe, Rosa Magali Bernardes, 28 anos. Distraída ora com a Barbie noiva, ora com a minicozinha, Emily até se esquece do soro que a persegue, em um suporte em formato de avestruz.
Internado pela segunda vez no HU, Luís Gustavo, 2 anos, já quis ir à ''bisteca'', que é como ele chama o local, assim que chegou. ''Quando a brinquedoteca está fechada, eu trago ele aqui fora para tomar ar, caminhar um pouco. Se não, fica muito estressado. Ficar aqui ajuda a esquecer até a dor'', observa a mãe, Cláudia Meire Pastore Miranda.


