Um emprego daqueles que ninguém põe defeito
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segunda-feira, 03 de julho de 2006
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Passar mais de seis meses dentro de um navio de doze andares sem ter que pagar para comer nem para dormir. Tomar sol na proa, nadar numa piscina de água salgada e ao anoitecer, poder ver o brilho mais intenso das estrelas, lá do meio do Oceano Atlântico, isso tudo em meio ao ambiente de trabalho.
Até parece cena de filme, mas essas foram algumas das atividades da londrinense Mariana Pasa Lemos, 24 anos, nos horários de folga do seu emprego de camareira no navio Grand Mistral, de bandeira espanhola.
Formada em Direito e em Turismo e Hotelaria, Mariana sempre sonhou em trabalhar num transatlântico. A vontade surgiu quando fez sua primeira viagem junto dos pais, aos 15 anos de idade, num cruzeiro que percorreu o extremo norte da Europa. ''Aprendemos a falar italiano para percorrer a Europa por dez meses, com mochilão nas costas e dormindo em albergues. O cruzeiro foi a parte luxuosa da viagem. Me lembro que eu conversava com todo mundo no navio. Já na época da faculdade, sempre dizia que o que eu mais queria era trabalhar num transatlântico'', comenta.
O navio em que Mariana trabalhou percorreu diversas cidades de países como Brasil, Espanha, Malta, Itália e Tunísia. Ela embarcou no dia 26 de novembro e deixou o trabalho - que funciona em esquema de contrato temporário - no dia 12 de junho, 199 dias ao todo. O estágio obrigatório que fez na faculdade de Turismo facilitou o acesso ao emprego, que exigiu idioma inglês ou espanhol e experiência na área. Para Mariana, a função de camareira foi um bom negócio. Além de ganhar boas gorjetas - cerca de 400 dólares por semana no Brasil e 500 euros por semana na europa - ela trabalhou num horário fixo, das 7h às 15h e das 19h às 23h, o que acabou tornando possível que ela tivesse momentos inesquecíveis de lazer.
''No Brasil conheci Angra dos Reis, Búzios, Santos, Salvador, Florianópolis, Ilhéus. Na Europa passei por Barcelona, Malta, Civitavecchia e Nápolis além de várias ilhazinhas que eu nem sabia que existiam. Também voltei de lá namorando, ele também era da tripulação'', comenta sorrindo.
Para conseguir o emprego, Mariana teve que fazer um curso de quatro dias em Curitiba, chamado STCW-95, que orienta sobre segurança marítima. A legislação diz que 25% da tripulação, no mínimo, deve ser brasileira a partir do 91º dia de operação de cabotagem no País. Por isso, Mariana disse que conseguir o emprego não é difícil; o mais difícil mesmo é se manter lá dentro.
''No momento, estou de férias. Pretendo voltar para o navio pois quero juntar dinheiro para montar uma pousada em Santa Catarina. É uma loucura, muito bom. Recomendo para quem tiver vontade de fazer a mesma coisa, pois vale a pena em todos aspectos, inclusive financeiramente''.


