Londrina - "Tinha uma pedra no meio do caminho", disse o poeta. Mas se andasse pelas calçadas de Londrina, com certeza poderia dizer que além da pedra tinha também uma árvore, um poste, um buraco, um carro, muito mato e que nem calçada tinha. Nem é preciso andar muito para achar descasos com a acessibilidade. E não é só a falta de piso tátil. Calçadas estreitas, íngremes ou com obstáculos estão presentes em todas as regiões.
Na Rua Solimões, no Jardim Agari (centro), uma placa de metal, fixada em uma base de concreto, obstrui boa parte da calçada e com certeza ficará bem no meio do piso tátil, caso este venha a ser instalado algum dia. A surpresa se torna maior quando é possível observar que a placa em questão nada mais é do que um marco da entrega das obras de pavimentação da referida rua, executada pela prefeitura e datada de julho de 2010. Além do emblema da Prefeitura Municipal de Londrina, constam também os nomes dos então prefeito e secretário de obras.
Na zona oeste, moradores e frequentadores das áreas de lazer reclamam da falta de calçadas e dos obstáculos nas que existem. Nas ruas onde foram instalados os superpostes da Copel, a falta de espaço incomoda, principalmente nos locais onde as calçadas são mais estreitas. "Esteticamente ficou bastante feio esses postes. Se ainda tivessem tirado os outros, mas não, ficou esse monte de obstáculo. E as crianças agora não podem mais brincar de bicicleta em cima da calçada, precisam ir para a rua", diz a dona de casa Cileide Marques, moradora do Jardim Pinheiros.
Na Rua Ana Porcina de Almeida, no Jardim de Versalhes 2, além de estreitas e íngremes, as calçadas agora estão impedidas pelos superpostes. Com isso, o trecho disponível para a passagem de pedestres varia de 87 centímetros a 1,15 metro.
A norma NBR 9050, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, estabelece como largura mínima necessária para o deslocamento de uma pessoa com bengala 75 centímetros; para alguém que utilize andador ou duas bengalas, a distância necessária é de 90 centímetros, que também é o mínimo necessário para uma cadeira de rodas. Se o cadeirante estiver acompanhado de um pedestre, a largura mínima exigida é de 1,20 a 1,50 metro, para que possam andar lado a lado.
Nas margens do Lago Igapó, próximo à Avenida Faria Lima (zona oeste), além dos superpostes, a falta de calçada também irrita os pedestres. O bailarino Marciano Boletti e a estudante Bianca Neves Biletti contam que costumam andar bastante a pé e que sentem dificuldade nas áreas de lazer.
"No Vale do Rubi (zona oeste) não tem calçada e temos que andar pela rua e dividir o espaço com os carros. Próximo ao aterro temos que andar pela ciclovia e dividir espaço com as bicicletas. Eu também sou ciclista e sofro com isso. Aqui nesse trecho temos que andar pela trilha, porque não tem calçada. Esses postes não vão sair daí tão cedo e estão bem no meio de onde deveria ser feita uma calçada. Os lugares de lazer precisam ser mais bem cuidados, temos muitos espaços que poderiam ser explorados", reclama ele.
O aposentado Antônio Moscheta está com uma casa em reforma na rua Joaquim Nabuco, no Jardim Presidente (zona oeste) e às vezes precisa andar pela rua, devido à falta de espaço nas calçadas, muitas tomadas pelo mato. "Londrina está cheia desse problema, ou não tem calçada ou o que tem está impedida com mato, poste, toco de árvore. Na frente da minha casa colocaram um superposte e uma cadeira de rodas não passaria, mas a própria prefeitura também não faz as calçadas", aponta.

Insegurança
Os moradores do Jardim Presidente reclamam também da insegurança causada pelos superpostes e das árvores que foram cortadas para a instalação dos mesmos. Há também quem reclame da desvalorização dos imóveis depois das obras da Copel.
"Meu filho chegou outro dia do trabalho e tinha um rapaz escondido atrás do poste, sorte que ele percebeu antes de abrir o portão. E se não tivesse visto, o que teria acontecido?", questiona a aposentada Maria Rosa da Silva, reclamando também que muitas árvores tiveram que ser retiradas para a instalação dos postes.
Outra vizinha, que não quis se identificar, diz que está tentando vender a casa há algum tempo e que quando os interessados veem que é na rua dos superpostes, desistem da compra. "Antes mesmo dos postes quis vender a minha casa, porque preciso de uma maior, mas está sendo muito difícil conseguir interessados agora. Tem imobiliária que nem quis fazer avaliação, com medo de usarmos o laudo contra a empresa de energia. Fico preocupada de não conseguir vender."

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