'Um dia vou consertar o trauma que provoquei em minhas filhas'
Um dia vou consertar o trauma
que provoquei em minhas filhas
Os sintomas apareceram aos poucos, no decorrer dos anos, mas quando se viu desempregada depois de 23 anos de trabalho, Denise Faizano, 38 anos, viu a doença tomar proporções que tornaram sua vida um inferno, levando-a até mesmo a tentar o suicídio por algumas vezes.
Sofrendo de depressão com compulsões histéricas, Denise Faizano conta que passou praticamente dois anos de pijamas sentada em uma poltrona de sua casa sem vontade para fazer nada. Para tomar banho minhas filhas é que me carregavam, lembra, emocionada. Denise Faizano tem duas meninas, uma de 18 e outra de 11 anos.
Ela relata que não tinha controle sobre suas atitudes. Quando entrava em crise batia nas meninas, queria matar o cachorro. As discussões e brigas aconteciam todos os dias e não eram discussões que davam para passar na novela das oito, conta.
Denise Faizano afirma que procurou muitos tratamentos, sem resultados. Foi depois da última tentativa de suicídio, que chegou à conclusão que precisava muito de ajuda. Não me lembro como fiquei sabendo do Caps. Só sei que fui parar lá, sozinha, recorda.
Ela foi atendida no ambulatório pela coordenadora do Caps, a psiquiatra Patrícia Dias Castro. Ela e o médico Luiz Paulo Garcia, que considero meu mentor, me encaminharam para o tratamento de hospital-dia, lembra. Nos primeiros 15 dias Denise Faizano compareceu ao tratamento com certa resistência, ficava sentada numa cadeira observando.
Como sempre gostou de pintar telas com tinta a óleo e tecidos, um dia resolveu ajudar uma outra paciente que tentava pintar uma tela durante uma oficina ocupacional, que faz parte do tratamento. Foi o incentivo para Denise se envolver nas atividades do hospital-dia.
Não parei mais, estou há quatro meses em tratamento e estou conseguindo resgatar a minha vida, conta. Sei que tenho muitos problemas emocionais, a maioria com origem em traumas de infância, mas estou recuperando a minha vida, complementa. Ela afirma que precisa tomar muitos medicamentos, mas está confiante na recuperação de sua vida.
Denise Faizano é enfática ao se referir ao Caps e afirma que sem este serviço não teria conseguido se recuperar. É fundamental que as pessoas saibam da importância deste serviço, afirma. Ela conta que já faz o almoço de domingo, voltou a pintar as unhas, a se cuidar. E um dia ainda vou consertar o trauma que provoquei nas minhas filhas. Mas, por enquanto, ainda não posso pensar nisto, afirma, emocionada. (E.P.)





