Os ‘‘plantões de véspera’’ oferecidos por cursos preparatórios ficaram lotados ontem em Londrina. Vinte quatro horas antes do concurso vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), muitos candidatos ainda se mostravam dispostos a usar o sábado de sol para relembrar conteúdos vistos durante o ano. As provas começam hoje às 14 horas, com 60 questões de conhecimentos gerais, e seguem até a próxima terça-feira para a grande maioria dos 35.530 candidatos. Quase a totalidade dos inscritos de outras cidades chegaram durante a madrugada e manhã de ontem e movimentaram o Terminal Rodoviário.
  No Colégio Nobel, centenas de candidatos passaram a manhã envoltos no desafio de resolver questões similares às mais pedidas pela UEL. Arnaldo Martin Szlachta Júnior, 20 anos, aprovado no curso de História da Universidade Estadual de Maringá (UEM), aproveitou a manhã para rever amigos no Colégio Nobel e dar uma revisada no conteúdo para alcançar a meta de ser aprovado. Para ele, os plantões ajudam mais quem já domina o conteúdo e não àqueles mais desesperados. O professor de matemática do Nobel, Walter Gava Filho, concordou. ‘‘Durante o ano, a nossa cabeça consegue guardar algumas coisas, mas, com o passar do tempo elas começam a cair no esquecimento. Os plantões servem para recordar conceitos sem desespero e para nosso aluno ter um pouco mais de segurança no momento da prova’’, afirmou.
  Argumentos semelhantes também foram expostos pelo professor de matemática do Sigma Vestibulares, Gileno Pereira, que deu aula para mais de 1.300 alunos no plantão instalado no Centro de Eventos do Shopping Catuaí. ‘‘Escolhemos questões mais simples para aumentar a confiança do aluno’’, apontou. O professor de literatura e história da arte e sócio do Sigma, Marco Antônio Mendonça, estimou que pelo menos três mil alunos engrossariam o plantão na tarde e à noite.
  Há mais de 15 anos no ramo, Mendonça elogiou alguns aspectos do vestibular da UEL – como a inclusão de filosofia e sociologia – mas criticou a exigência das 10 obras literárias obrigatórias, que abrangem apenas autores brasileiros. Ele também fez críticas ao sistema de cotas (reserva de vagas para alunos de escolas públicas, pardos e negros), implantado pela primeira vez no vestibular da UEL. ‘‘Criou mais angústia e acabou segregando ainda mais com essa tentativa de inclusão de cima para baixo’’, finalizou.

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