Um dia especial
Domingo é dia de descanso. Pouco gente pensa no motivo de haver um dia de folga depois de seis de trabalho. Haverá até quem diga que isto, certamente, ocorre por causa do que está na Bíblia, já que Deus trabalhou seis dias para fazer o Universo e tudo o que nele existe e descansou no sétimo dia.
Todavia, não é bem assim. A Bíblia existe há milênios, o Cristianismo há 2 mil anos. E ao longo de todo este tempo, os homens naturalmente os pobres, que sempre foram maioria trabalhavam todos os dias, sem folga, sem feriado, sem qualquer regalia, sem leis trabalhistas. No começo da era industrial, as crianças eram submetidas a trabalho abusivo e praticamente escravo, sem que os patrões (a maioria cristã) considerassem a idéia de folgas para quem trabalhava.
O direito ao domingo remunerado, assim como todas as outras prerrogativas do trabalhador, ao longo dos tempos, foram conquistas obtidas com muita luta, com sacrifícios, com gente dando sua vida para conseguir estes objetivos. Assim também o direito do voto, universal, não foi um presente dos governantes ou poderosos ao povo mas uma conquista em uma História cheia de imensos obstáculos.
O domingo que é também dia de eleições, é, deste modo, um dia mais do que especial. É o dia em que o trabalhador descansa e em que o cidadão exerce seu direito de definir os rumos da sua vida através da escolha dos que irão governar em seu nome. Vale a pena pensar nestas coisas, principalmente às vésperas das eleições. A solução fácil, usada por muitos, que questionam o voto e os políticos, representa um fator negativo para a própria democracia.
A História do Brasil, escrita a partir dos que nos governavam (desde a época do Descobrimento) revela alguns aspectos no mínimo curiosos. O Brasil foi descoberto por acaso, segundo se ensina nas escolas. Pedro Álvares Cabral estava indo para as Índias quando, devido às calmarias, acabou nesta terra nova. Depois, o Brasil viveu por mais de 300 anos como colônia até que, graças à bondade de Pedro I, conquistou a Independência. A escravidão existiu até que, graças à sensibilidade da Princesa Isabel, houve a abolição. A República também veio como um presente dos que entendiam que a Monarquia não era o melhor para o povo. Temos uma História de presentes, sem povo.
E isto não é real. A colonização custou vidas, a Independência foi conquistada com sangue, a abolição surgiu devido à luta dos que defendiam a dignidade do ser humano. A República foi um esforço para colocar de fato o país na rota da democracia, sem privilégios e privilegiados. Não há presentes, há conquistas. Votar é, inegavelmente, uma das maiores dentre todas elas. O cidadão de hoje, que recebeu como um presente o direito de votar, tem pelo menos o dever de preservar e aprimorar a democracia para os cidadãos do futuro.





