Imagem ilustrativa da imagem 'Um dia ele volta para mim'
| Foto: Reprodução
Edson da Silva, então com seis anos, sumiu em abril de 1992


"Tiraram um pedaço da gente. Um pedaço muito valioso." Quase 25 anos depois do desaparecimento do filho, a tristeza ainda domina os dias e noites de Vera Lúcia Pereira da Silva, de 57 anos. Em abril de 1992, o filho Edson Rodrigo Batista da Silva, então com seis anos, sumiu no Parque de Exposição Ney Braga. Era o último fim de semana da ExpoLondrina.
"Quando estou em casa não abro as janelas e nem as portas. Nem parece que tem gente em casa", revelou Vera. Mas ela não perde a esperança de um dia comemorar o retorno do menino. "Só peço a Deus para me abençoar para ter uma alegria na vida."
Em 2015 Vera perdeu o marido, Élcio Batista, em um acidente de carro. Foi mais um golpe na tão sofrida trajetória dessa mãe. "Para mim foi como se a vida acabasse. O meu marido não volta mais, mas acredito que se o meu filho estiver vivo, um dia ele volta para mim."
Vera não esquece a noite que o menino desapareceu. "Ele não saía sozinho. Estávamos trabalhando e ele me disse que ia buscar um porquinho para por moedas, que estavam distribuindo. Ele me mostrou um amiguinho que ia acompanhá-lo e disse que já voltava. E não voltou mais", recorda.
Quando percebeu que Edson havia sumido, os pais começaram a busca por todo o parque. "Não tiro aquele dia da cabeça, o pessoal das barracas procurando por tudo." Nos dias seguintes, os pais percorreram as ruas da cidade, foram em favelas e pontos de consumo de droga. Mas não encontraram nenhuma pista.
Vera acredita que o filho foi levado por alguém que queria criá-lo, por isso a esperança que de o menino ainda esteja vivo. "Só peço que um dia a pessoa que pegou ele tenha consciência e conte a verdade para ele me procurar".
Ela mora no mesmo endereço, em Sarandi (Região Metropolitana de Maringá), desde que Edson sumiu. "Ele só tem esse endereço como referência. Só saio daqui quando ele aparecer ou eu morrer", disse.
Vera conta que durante um tempo frequentou grupos de apoio de mães de crianças desaparecidas. "Lá você vê que tem pessoas em situação pior que você", comentou. É na convivência com os colegas de trabalho e familiares que ela tira forças para continuar em pé. "Eles sempre trazem uma palavra de conforto", afirmou.
Com a proximidade do Natal, a triste aumenta. Ela não comemora mais a data e prefere ficar em casa sozinha. Nem a companhia do filho mais velho, da nora e da neta faz com que Vera se anime a festejar a data. (A.M.P.)

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