Um dia de mesa farta
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segunda-feira, 26 de dezembro de 2005
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Comer um frango assado e tomar uma Coca-Cola no dia de Natal. Esse era o sonho de seo Oswaldo, um homem simples e humilde que morava em Cambé e que não tinha condições de preparar uma refeição mais farta no Natal. O sonho dele motivou membros da Organização Não-Governamental (ONG) Comunidade em Ação, que há três anos realiza um almoço comunitário, oferecendo uma refeição diferente às famílias carentes de Cambé e região.
''Seo Osvaldo morreu este ano e, por isso, estamos emocionados já que ele foi o precursor dessa idéia. No ano passado, graças a Deus, ele realizou seu sonho e recebeu um almoço bem gostoso. Para alguns é normal ter uma refeição como essa em casa, mas para muitos uma mesa farta significa muita coisa. Estamos esperando cerca de 200 pessoas'', disse Manuel Cícero dos Santos, presidente da ONG.
Servida no Salão Paroquial da Paroquia São Francisco Xavier, no Jardim Santo Amaro, a refeição foi preparada por cerca de 30 voluntários, que também arrecadaram alimentos, doações em dinheiro e brinquedos para as crianças.
A desempregada Sirlei de Fátima dos Santos, moradora do Conjunto Morubi, em Cambé, foi uma das primeiras a chegar junto com seus quatro filhos. Para ela, este almoço é o mais importante do ano se não tivesse sido convidada não teria condições de proporcionar uma refeição tão farta para sua família. ''Eu não teria para onde ir. Ficaria em casa e arranjaria qualquer coisa para os meninos comerem. Eles estão felizes também porque vão ganhar presentes do Papai Noel'', disse.
Dois motivos levaram a costureira Elisabeth Lopes de Araújo ao almoço comunitário. Além de ter levado as duas filhas, Elisabeth também ajudou a ONG na preparação e arrecadação dos brinquedos junto à comunidade. ''O Natal é uma época muito bonita. Eu não teria condições de comprar presentes para minhas filhas, aqui elas terão a oportunidade de ganhar'', comentou.
Uma refeição por ano Dentinho é morador de rua e trabalha como ''catador de papel''. Mesmo assim, quando é questionado onde mora, faz questão de dar seu endereço: ''Moro há quatro anos na Rua São Salvador, ali no centro''. Há 15 anos, Dentinho, como prefere ser chamado, tem apenas uma grande refeição por ano, o almoço comunitário servido na Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, Vila Siam (Zona Leste), pela Fraterna Ajuda Cristã (FAC), entidade que sobrevive de trabalhos voluntários e doações da comunidade. Feliz, ele comenta: ''Eu vim junto de Deus para esse almoço''.
A FAC serve o almoço comunitário há mais de 20 anos, atendendo cerca de 250 pessoas, entre elas, desempregados, moradores de rua, índios, catadores de papel. Segundo o membro da entidade Amauri Campos, que trabalha na preparação do almoço de Natal desde o início, os alimentos foram doados pela comunidade.
Para o índio caingangue Devanir Pereira, que trabalha na lavoura Reserva de Apucaraninha, o almoço é motivo de alegria entre os familiares que normalmente não têm para onde ir no Natal. ''Viemos pra cá em 30 pessoas mais ou menos. Todos estão adorando a comida'', ressaltou feliz.


