Um dia contra a opressão na escola
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sexta-feira, 28 de março de 2014
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - Um depoimento impactante e assustador foi feito ontem, durante o evento "1º Dia Contra a Opressão na Escola", realizado no Colégio de Aplicação, da Universidade Estadual de Londrina. Uma jovem de 15 anos relatou, em meio às lágrimas, que já foi cortada com estilete e que tentaram jogá-la das escadas do colégio onde estuda. O motivo seria porque ela denunciou colegas de classe que teriam adulterado suas notas para baixo.
"Isso aconteceu em 2011. Tive que mudar de turno e depois disso o Conselho Tutelar veio até a escola e ministrou palestras de orientação e o problema diminuiu, mas ainda hoje sofro bullying porque uso aparelho auditivo e também porque tenho dificuldades na fala", ressaltou. Ela relembra que já encontrou o aparelho auditivo no lixo e já o desmontaram enquanto fazia a aula de Educação Física. "A gente não vai mudar o mundo com um projeto. As pessoas é que precisam se conscientizar e respeitar as pessoas pelo que elas são", afirmou.
O evento, organizado pelo Projeto Liberte-se, coletivo de estudantes que desde o ano passado atua na instituição, visa conscientizar a comunidade escolar sobre os danos físicos e psicológicos à formação daquele que sofre com as opressões como o racismo, o bullying, o machismo e a homofobia. Foram realizadas palestras, oficinas e atividades culturais desenvolvidas por convidados de variadas formações acadêmicas.
Thayná De La Rosa, de 18 anos, é ex-aluna do colégio e membro do coletivo desde o ano passado. Segundo ela, cada vez mais os alunos reproduzem falas preconceituosas que geralmente escutam de seus pais ou da sociedade. A jovem contou que a ideia de criar o evento surgiu no ano passado, quando algumas alunas criaram cartazes sobre o tema. A direção da escola sugeriu que o grupo buscasse palestrantes para falar sobre esses assuntos.
Piadinha
O funcionário do Aplicação e assessor do projeto, Lucas Martins, afirmou que o preconceito existe na sociedade como um todo, mas que na escola aparece como uma brincadeira ou de forma velada. "Elas surgem como uma piadinha. Por exemplo, quando o aluno é negro ou tem orientação sexual homoafetiva, o preconceito não vem da forma explícita como acontece fora da escola. A gente precisa mostrar que isso não é natural", destacou.
Uma estudante de 13 anos revelou que já sofreu bullying por ser negra. "Mandavam a gente para a diretoria com frequência por causa das brigas em que eu me envolvia por causa disso. Eu ia um dia sim e outro não, a ponto de eu ter que mudar de sala. Se eu não mudasse, eles continuariam a praticar o bullying. Eu me sentia mal, pois eles faziam isso para tentar me diminuir. Com tantas palestras na escola sobre o assunto, a gente acha que as pessoas se conscientizariam, mas continuam agindo da mesma maneira", reclamou.
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