Um coração artificial batendo no peito
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Fábio Galão<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Médicos do Hospital Milton Muricy, de Curitiba, realizaram na semana passada o primeiro implante de coração artificial do Sul do Brasil. Segundo a equipe médica, o paciente é um homem de 30 anos, que chegou ao hospital no dia 27 de outubro com um quadro de insuficiência cardíaca. Ele continua internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
De acordo com Francisco Pupo, um dos médicos que participaram do procedimento, exames apontaram uma miocardite - inflamação do músculo cardíaco. ''Entre outras razões, a miocardite pode ser causada por vírus. Ela compromete o bombeamento do coração'', explicou o médico.
Segundo a equipe do hospital, o paciente não respondeu aos procedimentos feitos pelos médicos (aplicação de drogas e utilização de um balão intraórtico), e por isso foi necessário implantar um coração artificial. ''Era um quadro desesperador. Tínhamos usado todo o 'arsenal' e não estava sendo o bastante. Pela dificuldade de conseguir um doador para fazer um transplante cardíaco, decidimos usar o dispositivo. Foi colocado um coração artificial externo, uma máquina que faz a função do músculo'', explicou o médico Vinícius Woitowicz.
O equipamento foi ligado ao lado esquerdo do coração do paciente no dia 4 de novembro. No dia seguinte, foi necessário fazer o mesmo procedimento no lado direito.
Os médicos salientaram que o coração artificial não é uma solução definitiva. ''O equipamento pode ser usado por até um ano. Em média, é utilizado por três, quatro meses. Ele gera efeitos colaterais. É um paliativo até que seja possível fazer um transplante cardíaco ou até o restabelecimento do coração do paciente'', afirmou o médico Luiz César Guarita Souza.
A equipe do Hospital Milton Muricy relatou que o tempo médio de espera por um transplante de coração ultrapassa um ano. A família do paciente não deu entrevistas e pediu para que seus nomes não fossem divulgados. Entretanto, o pai do paciente enviou uma carta aos jornalistas, na qual elogiou os médicos e fez um apelo para a doação de órgãos: ''Pedimos que haja a consciência da doação. Quantas pessoas estão nas filas aguardando por mais uma chance de vida! Não podemos deixar de lado a solidariedade que é a marca do nosso povo!''
Segundo os médicos, o coração artificial é utilizado apenas em casos extremos, quando o quadro clínico é refratário a qualquer outro procedimento e quando não é possível fazer prontamente um transplante cardíaco. A equipe informou que o implante feito no Hospital Milton Muricy foi o 11º procedimento do tipo realizado no Brasil. Os procedimentos anteriores foram feitos em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Fortaleza.


