Um caso raro na medicina
Londrina - Na Semana Nacional de Doação de Órgãos, quando o País está mobilizado em conseguir mais doadores, uma família de agricultores de Apucarana comemora a compatibilidade para o transplante de medula óssea para o garoto Daniel Hiroshi de Aguiar, 8 anos. Internado no Hospital Universitário (HU) de Londrina há quase dois meses, Daniel enfrenta uma aplasia medular ou anemia plástica, doença que impede a medula óssea de produzir sangue.
A boa notícia do transplante foi comunicada aos pais, o agricultor Marco Antônio Camargo de Aguiar e a dona de casa Neusa Tieko Suguiara, na última terça-feira, e veio carregada de esperança dupla: dois prováveis doadores, ambos irmãos mais novos de Daniel (um de 6 anos e outro bebê de apenas 7 meses) são compatíveis e têm chances de fazer a doação e salvar a vida do irmão.
O caso é considerado raro na Medicina, já que a probabilidade de encontrar um doador compatível é de um para um milhão de pessoas.
''Ficamos muito contentes. Sabemos que é muito difícil encontrar um doador e encontramos dois. É muita alegria. É a chance que ele tem de voltar a uma vida normal. Estudar, brincar, jogar bola. Ter saúde é o mais importante'', disse o pai.
A rotina de Daniel mudou radicalmente há quase dois meses. O garoto, que cursava a 3 série do ensino fundamental e não tinha nenhum problema de saúde, apresentou um quadro febril que se agravou em apenas dois dias. Manchas avermelhadas pelo corpo fizeram com que os médicos chegassem a um diagnóstico preocupante de aplasia medular ou anemia aplástica.
De acordo com o médico hematologista Roberto Franzin Coelho, chefe da equipe que acompanha o Daniel no HU, as chances de cura com o transplante são de 70%. Ele explica que a doença é grave, mas caracterizada como doença benigna por não ser uma espécie de câncer.
Sem a produção de sangue, Daniel sofre com hemorragias e precisa receber remédios e plaquetas que ajudam a mantê-lo vivo. O transplante, segundo o médico, depende apenas de uma melhora no estado de saúde do paciente, que tem o quadro agravado pela hemorragia. ''Ele está reagindo bem e esperamos que na próxima semana seja transplantado'', afirmou. Ontem, depois de quase dois meses deitado na cama do hospital, Daniel conseguiu se sentar pela primeira vez.
Exames complementares serão realizados nas duas crianças para que seja confirmada a possibilidade de doação da medula. Qualquer um dos irmãos pode ser o doador, de acordo com o médico. ''Do bebê podemos tirar uma quantidade um pouco menor, se precisar.'' A decisão de utilizar os dois doadores fica a cargo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), através do Serviço de Transplante de Medula Óssea, em Curitiba, onde será realizado o transplante.
A medula óssea é essencial para produzir glóbulos vermelhos (hemácias), glóbulos brancos (leucócitos) e as plaquetas. ''São componentes do sangue que são produzidos e renovados continuamente no organismo.'' No caso de Daniel, essa produção parou. A doença pode aparecer nas formas leve, moderada e grave. ''No caso de Daniel a forma é grave. A medula parou de funcionar e a única solução para ele é o transplante.'' Em 50% dos casos, a doença surge sem uma causa estabelecida e na outra metade, o indivíduo pode ter sido exposto a produtos tóxicos ou medicamentos.
O risco de morte, de acordo com o médico é grande nos primeiros seis meses da doença, mas as chances de cura total da doença após o transplante também são grandes. ''70% dos transplantados se curam e continuam uma vida normal''. A melhora nos pacientes transplantados ocorre num prazo de dois a três meses.





