Um caso de coragem movida pelo afeto
A coragem de enfrentar uma situação potencialmente perigosa pode vir de uma somatória de fatores. A empatia e a afetividade entre as pessoas envolvidas na situação são alguns deles.
Para a psicóloga clínica do Instituto de Análise do Comportamento em Estudos e Psicoterapia e Mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, Nione Torres, o caso do garoto Vinicius e do tio Ricardo pode ser explicado pela afetividade. ''O medo intenso diante do sentimento da ameaça de perda de alguém querido fez com que o garoto se sentisse forte o suficiente para pular na água e salvar o tio''.
O sentimento de medo, segundo Nione, surge de forma avassaladora no ser humano e é esse medo que impulsiona o indivíduo a lutar. ''A função básica do medo é nos proteger do perigo real, levando-nos ao enfrentamento de situações ameaçadoras e de outras potencialmente arriscadas''.
Ela afirma que diante de situações extremas, nosso organismo reage prontamente, entrando em ''estado de alerta'' e prepara-se para agir. O que importa apenas é a necessidade maior de sobrevivência. ''Nesse momento, o raciocínio lógico ou mesmo qualquer avaliação de consequências ficam muito tênues e até mesmo inexistem'', explica.
É importante ressaltar que existem pessoas que, a partir de sua história de vida, desenvolvem também uma habilidade primordial para as relações interpessoais, independente do vínculo afetivo. ''É a empatia, tida como a capacidade de reconhecer e integrar os sentimentos das outras pessoas e ir além. Vem dela o princípio da moralidade e da solidariedade, portanto, não apenas nos solidarizamos com a dor do outro como também nos mobilizamos para fazer algo por ele''.
A psicóloga lembra que o afeto, ou mesmo o amor, é a pedra-de-toque das relações entre os seres humanos. ''Esse sentimento é tido como um dos pilares na construção do vínculo emocional, gerando uma história de compartilhar, acolhimento e cumplicidade, que auxiliarão em bases mais fortalecidas para auto-estima, autoconfiança, capacidade de amar, etc. ''Tudo isso nos faz refletir que a atitude que o Vinicius teve foi, verdadeiramente, uma atitude de amor''.





