De um lado, um trecho reformado, com piso de paver, bancos de concreto, lixeiras, floreiras e mudas de árvores recém-plantadas. De outro, a imagem de um Calçadão ainda recoberto com o histórico petit-pavet, mas que carece de manutenção, já que as grelhas estão quebradas e entupidas de lixo, lixeiras danificadas pela ação do tempo e de vândalos.
São os contrastes que marcam um dos principais cartões postais de Londrina e cuja revitalização, iniciada em 2009, foi cercada de polêmica. A troca do piso e a retirada dos quiosques, alguns existentes há décadas, foram os pontos que mais chamaram a atenção.
O trecho revitalizado compreende três quadras entre as ruas Hugo Cabral e a avenida São Paulo, e o trecho não reformado é formado por duas quadras – entre as avenidas Minas Gerais e São Paulo.
Uma das principais queixas em relação à revitalização é a descaracterização do desenho aplicado no piso, que havia sido projetado pelo arquiteto Hely Brêtas Barros. Durante visita a Londrina em junho de 2011, pouco antes de sua morte, classificou o novo desenho de "uma batalha de confetes", tamanha a decepção com a adoção de várias cores em substituição ao mosaico em preto e branco.
A agropecuarista Ivanete Maria de Almeida Baise afirmou que o novo piso tirou um pouco do charme do Calçadão. "Eu gostava mais do piso anterior, pois tinha um desenho original e era mais bonito. A prefeitura só tinha que realizar a manutenção, não precisava trocar tudo", ressaltou.
Outro ponto que desagradou parte dos frequentadores do espaço, por onde passam 30 mil pessoas diariamente, foi a retirada dos quiosques de sucos, cafés e revistas, entre outros. A enfermeira Márcia Moraes observou que os quiosques funcionavam como uma espécie de loja de conveniência. Destacou também, que as bancas ofereciam livros, revistas e jornais que possibilitavam uma atualização rápida do que estava acontecendo no mundo.
Atualmente quem passa pelo espaço encontra dois tipos de pisos e dois estágios de conservação. Se o Calçadão reformado apresenta um nivelamento mais adequado, o piso de petit-pavet, por falta de manutenção, apresenta uma superfície irregular e com buracos e mobiliário urbano deteriorado. "Acho que já passou da hora de tomarem alguma providência, não podemos admitir que o Centro da cidade fique nessas condições", afirma o ambulante José Carlos Soares.
A dona de casa Maria do Carmo, moradora de Guaraci (Centro-Norte), conta que na última vez que visitou a cidade levou uma dolorida lembrança: um torção no pé, após enroscá-lo em uma das grelhas quebradas. "É mesmo uma pena ver o Centro nessas condições", opina. "Acho que o pior problema são os buracos."
"Eu evito passar por lá quando tenho que vir ao centro", comenta a costureira Regina Aparecida de Andrade, moradora da do Jardim Paraty (zona norte). "Além de não conseguir andar direito por causa do monte de buracos, você ainda tem que ficar desviando daqueles antigos pontos onde ficavam os quiosques e bancas de revistas. Se fosse para tirar e ficar assim, era melhor que nem tivessem tirado." (Colaborou Fernanda Carreira)

Leia a reportagem completa em conteúdo exclusivo para assinantes da FOLHA.

- Uma obra cercada de polêmicas

- Reforma deve ser retomada neste semestre

mockup