Vida de vaqueiro não é para qualquer um. Trabalho duro de segunda a segunda, rotina exaustiva desde os primeiros raios da manhã, entre outras demandas, fazem deste profissional alguém cercado de respeito. Mas além de ter aptidão para a lida, é preciso ainda ser apaixonado pelo que faz e pelos animais que cuida. Em Sertanópolis (Norte) há um destes homens. O nome dele é Dirceu Batista Ribeiro, 51 anos, ou simplesmente ''Boiadeiro''.
Em Sertanópolis, não há quem não conheça o ''homem do boi'', expressão que surgiu décadas atrás, quando Ribeiro começou a circular pelas ruas da cidade montando em bois que ele próprio cuidava e adestrava. Em vez de usar o tradicional cavalo, ''Boiadeiro'' passou a usar o boi para cumprir tarefas como pagar uma conta, visitar amigos, comprar alguma coisa no bar, entre outras situações.
Entre os animais que já adestrou um dos que ele mais se recorda atendia pelo nome de ''Presente''. ''Era um animal que fazia de tudo. Era conhecido no mundo inteiro. Uma vez me ofereceram R$ 50 mil nele mas não vendi'', recorda com uma saudade que ainda lhe aperta o coração, pois o touro morreu três anos após este episódio.
Hoje, Boiadeiro circula com um mini Aberdin preto com quatro anos de idade que atende pelo carinhoso nome de ''Smurf''. Quando estão juntos, um parece uma extensão do outro. Basta um gesto, um toque ou um comando de voz para que o animal faça exatamente o que ele deseja. O boi se inclina, vira, levanta a cabeça, dá voltas em torno de si, deita,... Tudo sem violência ou agressividade e, assim, faz a alegria principalmente das crianças. Dócil, ele se deixa montar sem oferecer o menor risco, embora pese algumas centenas de quilos.
A fama do dono do animal é tamanha que o peão tem uma agenda intensa de participações em feiras e exposições agropecuárias e até festas juninas. Só neste ano, ele já tem compromissos em eventos rurais em cidades do Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Como o ofício progrediu ao longo dos anos, Boiadeiro foi agregando outros animais e hoje faz apresentações com ''mini-horses''. Quando está em casa, um outro animal é sua companheira inseparável: a cadela Madona, que esbanja simpatia.
Boiadeiro diz ter herdado o ofício, o talento como adestrador e o amor pelos animais do pai, o também boiadeiro João Batista Ribeiro, hoje com 80 anos. ''Nasci e me criei no meio dos animais. Nunca fiz outra coisa na vida'', orgulha-se.

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