Londrina - Os termômetros marcando temperaturas próximas dos 35º C em pleno inverno em Londrina assustaram a intercambista alemã Hanna Melissa, de 19 anos. O calor é intenso para ela que está acostumada a temperaturas que chegam até a -10º C em Kirchhellen, onde mora, no Noroeste da Alemanha, próximo à fronteira com a Holanda.
Hanna tem na amiga londrinense Bruna Furlan, que a hospeda pelo Rotary Club, ajuda para se comunicar, fazer compras e passear. Na cidade há cerca de duas semanas, ela faz parte do grupo de estrangeiros e intercambistas que participou recentemente do Café Intercultural promovido pelo Colegiado de Letras Estrangeiras Modernas da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além do clima e do idioma, os 30 estrangeiros de pelo menos nove países puderam discutir as diferenças culturais que vão muito além do clima e do idioma.
Em questão de diversidade cultural, quem mais chamou a atenção foi o paquistanês Ibrar Hussain, de 29. Muçulmano, ele guarda todos os costumes do islamismo. A barba comprida e a kurta (uma espécie de camisa larga que se estende até os joelhos) despertam a curiosidade daqueles que o encontram nas ruas ou na universidade. Seguindo as leis do Corão, a sexta-feira é reservada para as obrigações religiosas para ele.
"O diferente desperta a curiosidade, mas o importante é que todos agem com muito respeito. Fui muito bem recebido em Londrina", comemorou. Com bolsa paga pelo governo brasileiro, Hussain prepara tese de doutorado sobre a viabilidade do cultivo de pequenas frutas, como amora, framboesa, mirtilo em clima subtropical. Os estudos pela UEL e em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já duram quase dois anos e se encaminham para a segunda metade.
Outra que prepara tese de doutorado na UEL é a professora norte-americana Serena Rivera, de 25, de Massachusetts. Ela é bolsista do programa Fulbright, do governo dos Estados Unidos, e conclui a pesquisa científica "Estudos e Teorias Luso-Afro-Brasileiras". Segundo Serena, o objetivo é quebrar estereótipos e difundir os conhecimentos sobre estas culturas. Ela está em Londrina há seis meses e destaca a modernidade da cidade. "É uma cidade grande e pequena ao mesmo tempo, o que permite uma boa qualidade de vida", elogiou.
Entre o grupo de seis orientais que interagiam durante o café intercultural, o japonês Yuta Kamimae, de 20, era quem tinha o português mais afiado. Filho de mãe nissei, nascida no Brasil, Kamimae resolveu conhecer o país citado nas histórias que ouvia desde pequeno. Há seis meses em Londrina, ele gostou do que viu. "Londrina é uma cidade muito boa para se viver. As pessoas são amigáveis e receptivas", elogiou. Focado em aprimorar o português, ele deve retornar em breve para a cidade de Chiba.

Várias óticas
A coordenadora do Colegiado de Letras Estrangeiras Modernas, Viviane Bagio Furtoso, explicou que o evento, que terá periodicidade quinzenal, será o primeiro passo para a internacionalização universitária. "É uma nova visão em Ensino Superior que permite a inserção do contexto global na universidade", ressaltou. Segundo dados da Assessoria de Relações Internacionais (ARI), a UEL mantém convênios com 62 instituições de 18 países da América do Sul, América do Norte, Ásia e Europa. Atualmente, cinco estrangeiros estudam na instituição.
Segundo Viviane, a troca de conhecimentos de alto nível gera cidadãos com capacidade crítica, capazes de lidarem com problemas por várias óticas. Na primeira reunião, participaram representantes da Alemanha, Bolívia, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, França, Japão, Paquistão, e Peru. Além do público da UEL, a professora espera atrair o interesse da comunidade externa. "Quem tiver experiências a compartilhar será muito bem-vindo."
A dona de casa boliviana Paula Rosário Cruz Coneglian, de 30, ficou sabendo do encontro e resolveu participar. "Gostei muito, pois além de poder falar em espanhol com os colegas da América Latina, você poder dar dicas de português para os iniciantes", recomendou.
O próximo evento está marcado para a semana que vem. Mais informações pelo fone (43) 3371-4941 ou 3371-4468.

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