Um bairro para se fazer amigos
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quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Moradores de outras regiões que circulam pelas ruas do Jardim Igapó (Zona Sul de Londrina) não percorrem mais que uma quadra sem receber pelo menos um ''bom dia'', ''boa tarde'' ou ''boa noite''. Satisfeitos com o local que residem, é comum encontrar gente que, além de morar, também trabalha na região que escolheu para viver.
Criado há mais de 40 anos, o bairro que fica a poucos quilômetros do Centro da cidade, é caracterizado por vias que levam nomes de países europeus. Praças, árvores e áreas de lazer também são algumas características da região que concentra, segundo a associação de moradores, pouco mais de 5 mil habitantes.
A atual presidente da Asssociação de Moradores do Jardim Igapó, Ivonete Nunes, mora no bairro há 40 anos e há 15 trabalha numa loja localizada na Avenida Inglaterra, principal via do bairro. Por causa da facilidade de acesso a ''praticamente tudo'', Ivonete conta que chega a passar mais de ano sem ir até o Centro da cidade. ''Temos tudo aqui, mercado, farmácias, lanchonetes. Falta apenas uma agência dos Correios e banco, mas temos lotéricas. Não precisamos ir até o Centro para fazer as coisas, está tudo pertinho de nós'', diz.
Ivonete ressalta que gosta muito do local, mas afirma que o governo municipal ''tem esquecido'' da região. ''Às vezes sentimos que a prefeitura não se lembra de nós. Temos muitos pontos do bairro onde a falta de iluminação acaba contribuindo com a criminalidade'', confessa.
Apesar dos problemas, alguns moradores nunca pensaram em sair do bairro. É o caso do aposentado Waldenor Alves Pereira, que há 25 anos vive no Jardim Igapó. Morador da Rua Grécia, que fica em frente a principal praça do bairro, Pereira lembra do crescimento e do progresso da região desde quanto se mudou para lá. ''Quando cheguei aqui só tinha um prédio na avenida, as casas eram baixas e tinha muita rua de chão''.
Há dez anos, Pereira abriu um quiosque em frente à sua casa, onde pintou a seguinte mensagem: ''tome seu café aqui''. O convite aos moradores funcionou. Alegre, ele comenta que toda manhã dezenas de pessoas passam pelo seu quiosque antes de ir trabalhar ou estudar. ''Trabalhadores, estudantes e amigos. Todos os dias passam aqui, conversam com a gente. É muito gostoso porque somos todos amigos. Uma vez um amigo meu de outra cidade veio pra cá e se apaixonou pelo bairro e pelas pessoas. Disse que não queria nunca mais sair daqui'', lembra Pereira.
A dona de casa Lúcia Lopes Mansera mora há 25 anos na pequena Avenida Estados Unidos, feita de paralelepípedos e com um canteiro central cheio de rosas de várias espécies. Todas foram plantadas pela moradora. Segundo ela, há muitos anos havia muito mato e para deixar o bairro mais bonito, ela resolveu cultivar flores. ''A gente tem um amor tão grande por isso aqui que quando vejo alguém apanhando as flores, corta meu coração. Coloquei uma placa para que as pessoas não arranquem mais, então, hoje em dia, muitos vão até lá em casa me pedir'', comenta. Para a moradora, as rosas servem para chamar a atenção dos que não moram no bairro e mostrar que a vizinhança cuida do lugar que vivem. ''Gosto muito daqui. É calmo, tranquilo e gostoso de viver. As rosas, servem para deixar o lugar ainda mais bonito'', comenta, empolgada a moradora.


